Escrever um livro

A primeira vez que pensei em escrever um livro foi há mais de dez anos quando assisti Sex and the City pela primeira vez.

Ver Carrie, a protagonista, ali sentada na escrivaninha na frente da janela do charmoso apartamento em Nova York, ou ainda em cafés da cidade; todo o processo de pesquisa que ela fazia e como traduzia tudo que vivia em texto, foram inspiradores pra mim. Sem contar, claro, todo o glamour envolvido numa série como essa.

Pensei até em cursar Letras para colocar esse plano em prática, mas depois mudei de ideia. E uma vez quase me inscrevi em um projeto da Folha para desenvolver um livro em conjunto. Não lembro muito bem, mas havia alguns temas que os candidatos escolhiam, faziam a pesquisa, e, posteriormente publicariam com o apoio do jornal – algo assim. Mas também, não me achei capaz e deixei a ideia de lado.

Eis que essa ideia vem passeando pela minha mente de novo. Antes, sempre que eu pensava nisso, dizia: ah, mas vou falar o que? Não tenho assunto. Então, juntando os registros da minha bagagem interna, me lembrei que o primeiro livro da Carrie (citada no início do texto) foi uma coletânea das suas melhores colunas do jornal em que escrevia. Essa semana comecei a ler um livro sobre maternidade (inclusive fui ao lançamento, postei tudo no insta @fabiolamininel) que também tem esse formato com a união de vários textos.

Também essa semana ouvi um podcast muito inspirador (anota essa dica valiosa aí: @swamilideranca) em que a convidada falava sobre projetos grandiosos para o futuro nos quais ela acredita muito. E então pensei: a gente tem que acreditar nos próprios sonhos, né? Senão quem vai acreditar?

Então resolvi materializar com papel e caneta – ops, teclado e tela do notebook mesmo, nesse caso – essa vontade já na intenção de jogar para o universo e fazer esse movimento em busca dos meus sonhos. Por que não?

Socializar é preciso (?)

Ela tinha uma personalidade que já foi classificada como bicho do mato, antissocial ou até “a que não se mistura”. Mas com o passar dos anos e um pouquinho de autoconhecimento, ela descobriu que só era um pouco introspectiva mesmo.

Não era do tipo que puxa assunto na fila do caixa ou sai contando a vida para o motorista do táxi. Para adentrar naquele universo particular tão confortável pra ela, era preciso tempo e simpatia. Aquela coisa de “bater o santo, sabe?”

Eis que ela se tornou mãe. E se viu tendo que sair dessa zona de conforto ao precisar socializar com outras mães. É a piscina do prédio, o playground, o parque, as mães da escola. Muitas vezes desejava internamente que não encontrasse ninguém, só para não ter que conversar.

Mas à medida que o filho cresce e sua vida social começa a se estabelecer, o relacionamento com as outras mães passa a se fazer necessário. As mães do prédio e as da escola começam a se tornar mais presentes. E ela começa a perceber que pode ser bom. São experiências trocadas e amizades entre mães e filhos que podem nascer.

E, se percebendo, se observando, e, aos poucos, se abrindo para o novo, saindo da zona de conforto do mundinho particular em que ela sempre gostou de viver, ela foi se permitindo aprender com essas relações e, assim, evoluir.

Afinal, já dizia Aristóteles: o homem é um ser social porque precisa dos outros membros da espécie. Seguindo essa teoria, mesmo que algumas pessoas prefiram ter algum isolamento, ninguém vive bem totalmente sozinho. Embora ela ainda goste muito de estar sozinha, é na presença de novas pessoas que ela se sente vista, ouvida e em constante aprendizado. Estar só é bom, mas socializar também pode ser.

Silêncio e individualidade

Ela é filha única, os pais se separaram quando ainda era criança. Morando com a mãe, se acostumou ao silêncio e calmaria que essa convivência trazia. Sem falar da necessidade de individualidade que foi desenvolvendo ao longo do tempo.

Casas cheias, convivência com muitas pessoas e o barulho e conflitos que esses cenários podem gerar nunca foram muito sua praia. Sempre fez tudo para fugir dessas situações.

Dias atrás ela e a família foram convidados para passar uns dias na casa de praia de amigos queridos. Lá estariam muitas pessoas, barulho, falta de rotina, enfim, tudo que ela não gosta. Mesmo assim decidiu aceitar.

Chegando lá a recepção não poderia ser mais calorosa. Todos muito atenciosos. Inclusive as crianças, que receberam o menino, filho único, mas super sociável – ao contrário da mãe, com alegria e curiosidade.

Foram dias mais barulhentos sim, mas mais alegres, que proporcionaram novas amizades ao menino, brincadeiras, momentos de aprendizado e autonomia. Para o casal, muitas conversas e trocas, risadas, drinks e lembranças de outras boas memórias.

Depois de ir embora, ela percebeu que nem tudo precisa pender sempre para um só lado. É possível sair da zona de conforto e transitar por situações que ela acreditava não ser agradáveis por se fechar no seu universo paralelo. Isso é equilíbrio, é autoconhecimento e aprender a lidar com os próprios sentimentos.

Quando chegou na sua casa tranquila e silenciosa, teve saudade dos momentos que passou na casa de praia. E entendeu que ela pode se permitir viver momentos barulhentos e fora da rotina milimetricamente calculada; e, quando voltar, se encontrar novamente dentro da própria individualidade.

Feliz ano novo!

Início de ano é sempre tempo de recomeçar com esperança. Após o tumulto e correria que costuma ser o mês de dezembro, janeiro traz a paz e a calmaria necessárias para se reenergizar, pensar em novos projetos, começar algo novo, que está sendo adiado faz tempo, dar start no exercício, na dieta… Muitos planos.

Esse ano, especialmente, traz a expectativa de mudanças positivas depois de dois anos da crise mundial que atravessamos com a pandemia de Covid-19. A sensação é de ter dado uma pausa na vida durante esse período; alguns planos e projetos tiveram que ser adiados ou deixados para trás.

Apesar disso, não fiz uma extensa lista de objetivos para esse ano. São metas realistas, mas que exigem foco e determinação para saírem do papel para a vida real.

Fazer aula presencial de yoga, voltar a correr e retomar meu ritmo de leitura (por algum motivo me perdi nesse objetivo ano passado, mas ainda assim foi um saldo positivo) são alguns deles. Por último, mas não menos importante, está escrever mais. Uma atividade que me dá muito prazer, mas que acabo deixando de lado.

Tenho ideias de temas e pautas que vou deixando de lado e acabo não dando vida a eles. Esse ano, quero que seja uma prioridade pra mim. Além das pautas que costumo abordar aqui no blog, me comprometo a escrever, semanalmente, uma coluna com cara de crônica/pensata inspirada em artigos de personalidades da grande mídia que leio, admiro e são fonte de grande inspiração pra mim.

Essa de hoje é a primeira delas. Quero exercitar meu olhar sobre o cotidiano, sobre a vida, as relações familiares, de amizade, os dilemas profissionais e da maternidade, entre tantos outros assuntos, e traduzi-lo em textos agradáveis que sirvam de insights e reflexões para quem ler.

Vamos comigo nessa caminhada. Espero que você goste de acompanhar.

Busca pela missão de vida

Muito se fala sobre missão e propósito de vida. Sempre pensei muito sobre isso e, sinceramente, ainda não descobri os meus. Aquele principal, da vida mesmo, que vai fazer sentido na minha trajetória.

Mas eu sei que me descobri e me reconheci em uma linda missão que é ser mãe. O amor, a alegria, encantamento e aprendizados que esse papel me traz são inesgotáveis. E, sem falsa modéstia, eu venho desenvolvendo muito bem essa faceta. Ainda estou só no começo, é verdade, mas já sinto que peguei a trilha certa.

O caminho é longo e pode ter umas pedrinhas no caminho. Mas quando tem intenção e leveza, não tem como dar errado.

Então, ainda que eu nunca encontre meu propósito, já terei me encontrado e reencontrado inúmeras vezes dentro dessa longa estrada que é ser mãe.

Os incríveis 3 anos

Se os 2 anos são considerados a adolescência dos bebês e chamados de terríveis 2 (em referência ao terrible two, em inglês), por aqui não teve nada disso. Em compensação, os 3 anos vieram cheios de emoções e mudanças.

Foi o momento de dar tchau para a chupeta, para a fralda, o quarto passou pela transformação de quarto de bebê para quarto de criança, com cama de solteiro. E, por falar em quarto, é lá que agora ele dorme todas as noites. E é lá que ele quer continuar quando acorda assustado no meio da noite; prefere minha presença ali ao lado dele do que correr para a minha cama.

São cada vez mais palavras, conversas e percepções novas. Ele já se enxerga como indivíduo, que tem sentimentos e vontades.

Foi também o ano em que enfrentamos uma internação na UTI que nos deixou marcas, mas que também nos fortaleceu e ensinou muito, além de aumentar ainda mais nosso laço e conexão.

Foi aos 3 anos que ele vivenciou a primeira festinha da amiguinha da escola. E como ficou feliz de de estar brincando com todos os amiguinhos com quem passa boa parte dos dias.

Me peguei pensando em tudo isso esses dias e fiquei reflexiva, relembrando tudo, pensando na importância desses marcos, como isso contribui para o crescimento e amadurecimento dele. Mas também me pega um pouco de jeito porque cada vez mais vou me distanciando do bebê (que ele já não é há muito tempo, sei disso – ele mesmo gosta de dizer que é um menino grande), que cresce mais a cada dia.

Ainda tem alguns meses até que acabem os 3 anos e outras coisas ainda devem acontecer. Mas, por enquanto, já posso dizer que são incríveis 3 e que vão ficar marcados na minha memória como fase de transição do bebê para o “menino grande”, como ele diz, me deixando saudade das fases que passaram, mas também me enchendo de orgulho do grande menino que ele está se tornando.

Sono compartilhado

Quando a gente se torna mãe, passa a conhecer conceitos que antes nem imaginava. Um deles é o sono compartilhado, quando o bebê / criança dorme no quarto dos pais.

Quando chegou da maternidade, meu filho passou a dormir em um um mini-berço no meu quarto, por sugestão da pediatra e também porque nos sentíamos mais seguros assim, já que ele era prematuro, além de tudo.

Ele foi crescendo, o mini-berço diminuindo, ele aprendeu a pular o tal do berço e muitas vezes dormia na nossa cama. Aos seis meses, a pediatra já tinha dito que ele estava preparado para ir para o próprio quarto. Mas aquela comodidade, misturada com uma preguicinha de ensinar a criança a dormir sozinha, ter que perder noites de sono novamente, quando tudo já caminhava muito bem – obrigada, não era uma opção atraente.

O mini-berço então deixou de servir; pelos motivos acima tive a ideia de colocar o colchão do berço ao lado da minha cama. Assim, ele estaria no meu quarto, mas teria sua “própria cama”.

Lá se foram 3 anos e meio (😂). É, minha gente, maternidade é isso: pagar a língua no crédito e no débito!

Agora ele já tem uma cama de solteiro, com seu telhado e tendinha. Estava todo animado no início. Mas na hora do vamos ver, ficou desconfiado, assustado. Não queria dormir. Já são quatro noites que ele pega no sono na própria cama, no próprio quarto. Do jeito que eu imaginava: eu ali do ladinho dele, depois de contar uma história ou assistir um desenho juntos.

Ele ainda levanta de madrugada e vai correndo pra minha cama. Também pudera, tanto tempo fazendo isso, não é de se esperar que ele vá mudar de uma hora pra outra, né? A sensação é de ver o tempo voar, ver meu menino crescer, se tornar autônomo e independente. E, apesar da nostalgia de perder meu bebê, vem o orgulho da criança que ele está se tornando e do trabalho que fazemos como família. Com sono compartilhado ou não, o importante é ele saber que sempre vai ter um colo quentinho pra correr quando ele quiser.

Um brinde aos 35 🍸

Me peguei lembrando de quando estava completando 25. Toda expectativa que as pessoas geralmente colocam sobre os 30 anos, eu coloquei nos meus 25. Havia criado todo um cenário de vida perfeita: bem sucedida no trabalho, com um super salário e morando sozinha no próprio apartamento. Aquela fórmula pronta de estudo, carreira, sucesso e dinheiro que nos enfiam guela abaixo a vida toda.

Eis que agora, dez anos depois, a poucos dias de completar 35, fiz novamente um balanço. Como eu era boba naquela idade. Não sabia metade do que estava por vir. Mas aquela menina que pouco sabia foi importante e faz parte de quem sou hoje.

Minha vida não é como a que eu esperava ou idealizava lá atrás. Ela é muito melhor. É perfeita? Não. Significa que não haja pontos que devam ser mudados ou com os quais não estou totalmente realizada? Sim. Mas tudo isso faz parte da pessoa que estou construindo.

Hoje sou muito feliz com tudo que fiz e como me transformei nesses anos. O destaque vai para meu lado mãe, que é o melhor dos meus papéis. E foi com ele que pude viajar internamente e revelar tantas coisas escondidas, trazer à tona partes de mim que eu nem sabia existir.

Minha viagem pelo autoconhecimento está no começo ainda, mas já diz tanto sobre a minha jornada e meu papel aqui. Os 35 vêm como um marco. Não mais a juventude e imaturidade dos 20, ainda não tão sábia e madura como acredito que sejam os 40. Mas no melhor que posso ter dos meus 30 e poucos. Não há tempo melhor do que o presente. E é esse que quero viver com todas as dores e delícias que me traz. Um brinde aos 35!