Feliz Dia das Mães

Na semana em que é comemorado o Dia das Mães, não tem como não lembrar da minha. Mas desde que eu me tornei uma, esse dia deixou de ser triste e nostálgico e passou a ter outro sentido pra mim.

Minha mãe partiu também em maio, logo depois do Dia das Mães.Mas esse não é um texto triste nem para lamentar a partida da minha mãe. Sim para relembrar e reconhecer a importância do papel dela na minha vida e, agora, por consequência, na vida do Otto.

Sim, porque muito do que sou como mãe devo a ela. Todo carinho, dedicação, doação e valores que ela me transmitiu foram importantes para me formar como pessoa e como mãe. E ela era tão boa que rolou até uma necessidade de trabalhar questões dentro mim para não me comparar e separar a mãe que ela foi da mãe que eu sou.

A comida fresquinha na mesa, as noites sem dormir me esperando chegar, o cuidado e preocupação incansáveis quando eu ficava doente, foram só algumas das formas dela de demonstrar amor. Com ela também aprendi a ser forte apesar de toda fragilidade e vulnerabilidade e a ter alegria e vontade de viver – e como ela teve e lutou pra isso.

Com todo conhecimento sobre a minha mãe e sobre a mãe que estou sendo hoje, espero oferecer ao Otto os valores que considero importantes e as condições para que ele cresça, crie asas e se torne um homem forte, amoroso e bem resolvido. Nesse Dia das Mães, vou celebrar com ele esse papel tão importante na minha vida – o maior deles. E vou relembrar com muito amor toda a jornada da minha mãe enquanto esteve aqui do meu lado. Saudade, dona Helena. E Feliz Dia das Mães.

A primeira vez a gente não esquece

Tem muitas primeiras vezes que são marcantes e ficam na memória. Depois que me tornei mãe, venho colecionando algumas. A última delas foi na semana passada, quando Otto dormiu pela primeira vez fora de casa.

Eu já desconfiava que ele tiraria de letra, mas não achei que fosse tanto. Nem que eu tremeria na base. O combinado era ele dormir na casa do primo (meu sobrinho afilhado) e depois o primo dormir aqui – ambos pela primeira vez.

Planejei um date romântico com o marido e seguimos o plano. Levamos Otto pra casa dos meus cunhados e, chegando lá, dando as coordenadas, me senti um tantinho nervosa. Meio fora do ar. Ele mal se despediu. Saiu correndo sem olhar pra trás. Voltou para dar um beijo porque eu pedi.

Expliquei que iríamos jantar e que qualquer coisa voltaríamos para buscá-lo. Mas ele estava tão empolgado com essa novidade, que isso ficou totalmente fora de cogitação. Chegamos em casa e um tempo depois, a prova de que tudo corria bem: uma foto dele assim que adormeceu.

Respirei aliviada. Por ele ter ficado numa boa, feliz, não ter sofrido, ao contrário, ter curtido muito. E também por ele se mostrar independente, o que facilita em futuras vezes, até em casos de precisarmos que ele fique por algum motivo. Mas ao mesmo tempo – dualidades – um ladinho meu egoísta talvez quisesse que ele sentisse falta, perguntasse.

A gente cria o filho para ele ser independente e autônomo. Quando ele começa a se mostrar assim, a gente quase tem vontade de voltar atrás. Isso é maternar.

Mas para encerrar a história com saldo positivo para o meu lado coruja, quando estávamos saindo de casa para levá-lo, ele disse: “vou sentir muita saudade de vocês”. E o meu coração se encheu não só de saudade, mas também de orgulho por essa vitória que ele conquistou e por ele vir se mostrando tão forte e independente apesar de ser ainda tão novo.

Levantar voo

Quando se é mãe, pressupõe-se conduzir uma criação pautada em permitir que a criança seja confiante e autônoma. Na prática muitas vezes não é assim.

No caso dela, que já havia superado a fase em que achava que deveria fazer tudo pelo filho – muito mais pelo medo do julgamento externo do que por convicção própria – foi assim mesmo, sempre incentivando a criança a criar as próprias asas com confiança.

Até dias atrás, quando chegou o comunicado da escola a respeito de um passeio. O primeiro da vida do menino de 4 anos. Um dia todo em uma fazendinha, aprendendo e vivenciando muitas coisas novas. Embora ele já esteja acostumado a ficar na escola, agora será diferente: ele vai entrar em um ônibus com os coleguinhas e a equipe da escola para começar a explorar esse novo mundo.

Na hora em que leu a mensagem, veio um misto de sentimentos: a alegria pelo primeiro passeio e todas as novas descobertas que vão vir com ele, mas também o aperto no coração por pensar no seu menininho tão pequeno indo passear “sozinho”.

Em nenhum momento cogitou não deixar. Esse é só o começo e faz parte de uma vida de voos a serem alçados. O importante é dar força e estabilidade para ele levantar voo (apesar de sua própria base estar bamba). Mas também saber que ele tem o porto seguro quando quiser aterrissar. É só o início de voos lindos e altos.

A maternidade

Ela sempre gostou de crianças. Era aquela pessoa que não podia ver um bebê que já logo pedia para pegar no colo e acompanhava de perto os bebês de amigas e familiares, sempre atenta a esse universo.

Depois de casada, sabia que queria, mas não o fez logo de cara. Quando pensou que poderia ser a hora, chegou a se questionar se iria percorrer aquele caminho por vontade própria ou se estava apenas fazendo “o que manda o figurino”, já que vinha compondo a tríade – faculdade, casamento e então, filhos.

O casamento estava na melhor forma, a idade era boa, a liberdade conquistada também. Após atravessar problemas familiares, aquele período era um respiro para o casal, vivendo momentos de plena felicidade em sua própria casa, indo a restaurantes, curtindo viagens…

Após ponderar tudo, concluiu que a jornada da maternidade aconteceria. E que todos aqueles bons momentos eram efêmeros. O tempo iria passar e chegaria um hora em que seriam apenas os dois, e isso seria muito sem graça na velhice.

Partiu rumo a essa jornada tão romantizada quanto desconhecida. E por mais que as pessoas falem e espalhem teorias por aí, cada caminho é muito particular. Primeira lição: você não tem controle de nada – um problema para alguém que vinha se descobrindo altamente controladora.

Mas a parte boa que ela encontrou nisso tudo foi ter se descoberto. Sim, porque na busca por conhecer e oferecer seu melhor ao filho, deparou com um caminho tão lindo quanto tortuoso e dolorido: o de se autoconhecer.

Um caminho sem volta que proporcionou um mergulho interno profundo e constante. Que expõe feridas, mas também apara arestas e a torna melhor para ensinar o melhor ao filho. Não é fácil, mas é bonito e gratificante.

A magia do aniversário

Aniversários sempre tiveram grande significado pra mim. Depois que Otto nasceu, comemorar os aninhos dele têm sido ainda mais mágico.

No primeiro aninho fizemos festa, que eu também adoro e achei que era importante para selar o primeiro ano de vida depois de uma chegada meio bagunçada, eu diria rs.

Nos anos seguintes, optei sempre por viagens. Por toda vivência e bagagem que uma viagem traz. Poder aprender vivendo, conhecer coisas novas: lugares, comidas, pessoas. Acho encantador. E, com o passar dos anos e aumento do entendimento dele, ele também tem achado.

Esse ano, pensando em um lugar que fosse bem divertido pra ele, fomos ao Beto Carrero. Normalmente eu faço mil pesquisas, sei tudo sobre o destino antes. Mas, dessa vez, me informei sobre o básico e necessário para ficar numa boa localização e garantir ingressos com antecedência. Só. E, talvez por isso, foi uma grata surpresa. Não criei expectativas, e mesmo assim, elas foram atendidas com muito sucesso.

O parque é imenso, cheio de experiências, bonito e muito bem cuidado. Interessante conhecer a história de empreendedorismo do homem por trás deste sonho que ele fez virar realidade.

Para o Otto, diversão garantida. Ele assistiu aos shows com os olhinhos vidrados. Tomou sorvete, correu, deu risada, viu muitos bichos: “Estou vendo animais que eu não sabia que existiam”, ele disse.

E, de forma espontânea, no dia do aniversário dele, ele disse: “Mamãe, estou me divertindo muito”. E, pra mim, nesse momento o tempo parou e a missão tinha sido cumprida.

Mas a cereja do bolo é o presente:

“Mamãe, hoje é meu aniversário?”

“Sim, filho”

“Mas no aniversário tem que ter presente também 😂”

Então ele escolheu um hot wheels. Ver o carro do show que ele tinha acabado de assistir materializado naquele brinquedo, foi elevar toda empolgação à máxima potência!

Voltou empolgado com as novidades e dizendo que vai contar tudo para os amigos da escola. E eu, com o coração cheio de amor e muitas lembranças boas.

Hoje eu lembrei da minha mãe

Hoje eu lembrei da minha mãe. Todos os dias eu lembro da minha mãe. Não, não estou forçando a barra. Todos os dias eu lembro dela.

Coisas que ela falaria, comportamentos meus parecidos com os dela (muitos eu criticava, inclusive, mas faço igual) ou lugares que ela teria gostado de conhecer.

Hoje fui fazer a unha em uma esmalteria e chegou uma moça com a mãe. Fiquei observando as duas e lembrei da minha. Não ser parecida fisicamente, mas por estarem juntas fazendo um programa que tantas vezes fiz com ela. E me peguei pensando quanta coisa estaríamos fazendo juntas hoje.

Como ela seria uma boa avó para o Otto, como estaríamos próximas hoje ajudando e aprendendo uma com a outra. E teria a oportunidade de olhar para ela agora com olhar de mãe, que entende tantas coisas que ela falava.

Não sou adepta ao drama, me considero muito bem resolvida com a morte dela. Acho que aceitei bem e entendi que tudo tem seu tempo e ordem de acontecer. E a ausência dela me tornou uma pessoa muito mais forte.

Mas hoje deu aquela saudadinha gostosa, lembranças que vêm e aquecem o coração e a alma. Sei que ela me acompanha e a proteção é forte. Mas senti vontade de externar esses sentimentos e dizer que hoje eu lembrei da minha mãe.

A importância do lúdico em período de isolamento

Já é sabido da importância do brincar e que crianças aprendem através de brincadeiras e vivências. Também já foi comprovado cientificamente que brincar não faz bem apenas para as crianças, mas também para os adultos: alivia o estresse.

Hoje, nesse contexto que vivemos, em que pais e filhos passam cada vez mais tempo juntos em casa, pode ser desafiador conciliar trabalho e brincadeiras com os filhos.

Nesse momento, qualidade é melhor que quantidade. Mais vale tirar pequenos períodos do dia para dar atenção às crianças, com brincadeiras curtas, mas de verdadeira interação por parte dos pais, do que passar o dia apagando incêndios, tentando fazer a criança se distrair enquanto você tenta trabalhar. Estabelecendo isso como rotina, eles passam a entender que tem o tempo deles, mas também tem os momentos em que precisam brincar sozinhos.

Aqui em casa já retomamos as aulas presenciais. Otto passa meio período na escola. Chega em casa por volta de 14h30, toma banho, faz um lanche e então tem a tarde livre para brincar. Como já gastou bastante energia na escola, fica tranquilo, brinca bastante sozinho.

Geralmente procuro deixar esse tempo para estar com ele. Mas se preciso trabalhar no computador, por exemplo, sento perto dele e ele me vê enquanto brinca, percebo que isso o deixa mais calmo.

À noite, começamos com a rotina de leitura antes de dormir visando diminuir o tempo na frente da televisão, que acaba agitando muito as crianças. Ele se mostrou bem animado com a novidade. Após a leitura, luzes apagadas e hora de dormir. São momentos de conexão entre nós e de tranquilidade minutos antes de pegar no sono, o que o faz dormir melhor.

Além de toda importância para o aprendizado e desenvolvimento, o brincar também deixa memórias e cria laços. Ainda que não se esteja brincando junto, é importante interagir, mostrar interesse. No futuro, esses vínculos estarão fortalecidos e esse período deixará boas memórias de um tempo caótico lá fora, mas de amor e companheirismo aqui dentro.

Teatro: Mãe fora da caixa

A atriz Miá Melo estrela esse monólogo baseado no livro homônimo da escritora Thaís Vilarinho (que também tem o insta @maeforadacaixa) e que trata desse assunto tão amplo e que traz emoções das mais variadas: a maternidade.

O enredo da peça gira em torno da mãe de uma menina de 7 anos que se vê frente a frente com um teste de gravidez, prestes a descobrir se terá outro filho. Nesse meio tempo, ela relembra toda jornada até ali: o bebê recém-nascido, as noites em claro, as primeiras palavrinhas e o desabrochar do amor incondicional.

É impossível não se identificar com, ao menos, uma das situações descritas. Posso falar por mim, que me enxerguei em quase todas. Algumas um pouco levadas ao extremo do extremo (na minha percepção), podendo assustar um pouco quem ainda não é mãe ou pai, mas não por isso menos engraçado ou totalmente fora da realidade.

Miá interage muitas vezes com o público ao longo da peça. Havia mães, pais e “não-mães e não-pais” e todos se envolveram e se emocionaram, riram e choraram. Em alguns momentos achei que a história dela se misturava à da personagem, tamanha troca dela com o público, dividindo também situações pessoais de seu maternar.

São abordados temas como puerpério, ainda pouco falado, mas tão importante da vida das recém-mães; o construção do amor incondicional (já falei sobre o tema aqui); os pitacos e palpites disfarçados de “dicas” que todo mundo adora dar para as mães; a culpa; os julgamentos; a loucura dos primeiros meses com um recém-nascido…

E para finalizar de maneira especial, essa foi a primeira sessão após a pausa do teatro por conta da pandemia de coronavírus. Miá ficou muito emocionada, contagiando o público que também estava ali se adaptando a essa nova forma de curtir o entretenimento. Mas de maneira segura e responsável.

Não vejo motivos para não assistir a essa peça que fica em cartaz até dia 22/11, no Teatro das Artes, dentro do Shopping Eldorado. Sessões às sextas, 21h, e sábados e domingos, às 17h30.

Sobre se perder e se encontrar na maternidade

Senti que a maternidade nos rouba um pouco de nós mesmas. Com a chegada do filho, deixamos um pouco de lado quem costumávamos ser para abrir espaço a uma nova pessoa, uma mãe que nasceu.

Ainda que se tenha uma super rede de apoio, é atrás da mãe que a criança vai no banheiro, naqueles (supostos) únicos momentinhos de paz, é a mãe que leva a criança junto em todos os compromissos quando não tem com deixar e é a mãe que normalmente passa a maior parte do tempo cuidando, brincando e amparando.

No meio dessa rotina, em dias mais intensos em que passo o tempo todinho com meu filho, tem hora que pareço não escutar meus próprios pensamentos, tamanha energia e atenção demandadas.

Outro dia dei uma saidinha rápida enquanto ele estava na escola: fui até o laboratório tirar sangue (programão). Entrei no carro, liguei o som alto, sentindo o vento no rosto, fui pensando na vida, nos meus sentimentos… E me dei conta: essa sou eu novamente. Curtindo um momentinho que seja da individualidade que eu tanto prezo.

A maternidade tem dessas coisas. Mas à vezes é bom voltar a enxergar algo que tínhamos, era tão comum e que talvez não tenhamos dado a devida importância. Para, então, agora perceber o privilégio que é viver esse momento, ainda que só por alguns instantes e se sentir grata por isso…

Dica de série: Little Fires Everywhere

little fires everywhere

ATENÇÃO! ESSE TEXTO CONTÉM SPOILER!

No último fim de semana terminei essa série que, ao que me parece, está se tornando a última sensação. Little Fires Everywhere, disponível na Prime Video, fala sobre racismo, maternidade, rivalidade, privilégios e me prendeu do começo ao fim.

Elena, a jornalista interpretada por Reese Whiterspoon, é casada com Bill, com quem tem quatro filhos, mora numa linda casa e vive uma vida que – parece – perfeita. Mia, vivida por Kerry Washington, é uma misteriosa artista, mãe-solo que vive com a filha adolescente mudando de cidade em cidade e parece ter um segredo escondido.

Suas vidas se cruzam quando Mia aluga a casa de Elena, e esta oferece um emprego para a artista no que diz ser uma tentativa de ajudá-la e melhorar sua vida. Enquanto isso, Pearl, filha de Mia, fica amiga dos filhos de Elena e se encanta com sua família perfeita.

Como já falei, essa série aborda alguns temas, mas quero me aprofundar em um deles: a maternidade. São retratadas duas formas diferentes de maternidade. Não significa que uma seja certa e outra errada, mas são diferentes. Elena cuida da casa e da família com muito amor e quer que todos sigam a fórmula do que é ser perfeito em sua concepção. Nesse interim acaba deixando escapar fases e acontecimentos importantes da vida de seus filhos. Enquanto isso, na visão de Pearl, sua mãe, Mia, não a prioriza da maneira que ela acha que deveria ser e, apesar de amar a filha e não deixar faltar o que ela precisa, a menina questiona a mãe quanto ao que, na visão dela, é ser uma boa mãe. O que ela não sabe é que a mãe abandonou a vida que vivia para protegê-la e não perdê-la.

Na ânsia de uma vida perfeita, Elena perde a conexão com seu marido e filhos. A filha mais nova, Izzy, está lidando com a homossexualidade, que Elena não aceita; Lexie está no ensino médio e se apropria da história de Pearl para conseguir ingressar na faculdade e para ocultar sua identidade ao fazer um aborto, que a mãe não percebe que está acontecendo e também não dá espaço para a filha contar; Moody se apaixona por Pearl, que por sua vez, se relaciona com o irmão dele, Trip. Tudo bem embaixo do nariz de Elena, que é incapaz de enxergar.

Em paralelo, acontece a história de Bebe, uma imigrante chinesa que deixa sua filha na porta dos Bombeiros após passar necessidades com a menina e na esperança de que ela tivesse uma vida digna. A família adotiva da filha de Bebe é da melhor amiga de Elena. A história vai parar no tribunal. E a questão que não quer calar é: Quem é mais mãe nesse caso?

Por fim, a relação conturbada de Elena com Izzy parece ter um por que. Quando tinha três filhos, a jovem jornalista retorna feliz ao trabalho após o fim da licença-maternidade. Completa com suas três crianças, ela declara não querer mais uma. Porém, ela logo descobre a quarta gravidez e carrega isso como um peso. No fim da história chega a declarar, numa cena triste e forte, que não gosta da menina e odeia ser mãe dela.

Não vou me alongar mais. É uma série intensa e intrigante. São apenas oito episódios que, em minha opinião, valem muito a pena. Já assistiu? Me conta aqui nos comentários!

A síndrome de Mulher-Maravilha – e o que ela pode causar

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Vivemos num tempo em que a mulher pode tudo. Ela pode ser quem ela quiser. Ela pode fazer o que bem entender da própria vida. E num momento em que feminismo x machismo vem sendo cada vez mais debatido, surge certa ansiedade da nossa parte de ter que dar conta de tudo.

Afinal, você pode ser o que quiser. E pode mesmo, mas será que para isso precisamos abraçar o mundo? Não vou mentir, me sinto o máximo quando consigo dar conta de tudo o que me proponho a fazer: trabalhar, cuidar do filho, da casa, do marido, fazer mercado, carregar 50 sacolas, mochila e carrinho de bebê. Mas também me sinto péssima quando tudo não sai como esperado.

O que é absolutamente normal: não sair como esperado. A vida é feita de altos e baixos, dias bons e dias ruins. E essa é a graça da coisa. Mas quando a gente passa a se punir porque não deu certo, deixa de ser saudável.

Deve haver um equilíbrio aí. Como em tudo na vida. Seja foda sim, faça tudo sim, o que quiser e da maneira que achar melhor. Mas se permita parar, desacelerar, pedir ajuda. A rede de apoio é essencial aqui. Marido, mãe, sogra, funcionária ou com quem quer que você possa contar.

Permita ter uns momentos só para você: dez, quinze minutinhos por dia, uma vez na semana, sempre que der. Se presenteie com momentos só seus, para fazer o que você gosta e te dê prazer. Pode ser fazer as unhas, ler um livro, parar um minutinho pra tomar um chá em silêncio… Isso é muito importante para você – e para sua família também. E assim você vai se tornando uma pessoa melhor, mais leve, criando a SUA própria versão da Mulher-Maravilha.

#PraMãeQueNasceu | Mães de UTI

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Primeira vez que peguei o Otto, 13 dias após o nascimento

Só uma recém-mãe sabe o que é o nascimento. De uma mãe, de um pai, de uma nova família. Um momento maravilhoso e de muita alegria, mas, ao mesmo tempo, de dúvidas, descobertas, medos, cansaço físico e emocional.

Nessa hora, todos os olhos estão voltados para o bebê, mas a mãe também precisa de carinho e cuidados. Inspirada pelo movimento criado pela Fernanda Floret, do @vestidademae, onde ela nos incentiva a cuidar das puérperas, resolvi falar sobre esse assunto.

O puerpério é difícil para todas as mães. Mas vou falar especialmente sobre as “mães de UTI”. A mãe de UTI tem alta da maternidade sem o bebê. Depois, ela passa a ter uma rotina de hospital: chega pela manhã, faz a ordenha no banco de leite, entra na UTI para ficar com o bebê, espera para falar com o médico (que muitas vezes demora, causando mais ansiedade), volta para o banco de leite, vai ver o bebê novamente, muitas vezes sem poder pegá-lo no colo (no meu caso foram 13 dias), pausa para o almoço, depois recomeça tudo. A maior parte do tempo, ela faz todo esse processo sozinha. Nas ligações e mensagens de whatsapp, todos só querem saber e ver fotos do bebê, quase não perguntam da mãe, como ela está, se precisa de alguma coisa. Muitas vezes, um cafezinho rápido, um bate-papo por mensagem ou só um abraço já são suficientes.

Tudo isso sem falar na montanha-russa de emoções dentro da UTI: cai saturação, estabiliza, ganha peso, perde peso, transfusão sanguínea, a falta de previsão de alta do bebê, enfim… São inúmeros acontecimentos nesse período; às vezes, muitos deles no mesmo dia. E a mãe tem que lidar com toda essa carga emocional.

Quando tudo é ansiedade, insegurança e incerteza, é bom saber que tem pessoas cuidando de você. A tal da rede de apoio. Se você tem uma amiga recém-mãe, cuide dela, leve uma comidinha fresca, um docinho, ofereça um pouco do seu tempo para ficar com o bebê enquanto ela toma banho ou faz as unhas; se ela for mãe de UTI, vá ao hospital visitá-la, converse um pouco, leve-a para tomar café, ou só um ar. Às vezes, uns minutinhos de conversa e desabafo já bastam para ajudar muito.

No Instagram, o movimento criado pela Fernanda Floret está rolando com as hashtags #PraMaeQueNasceu #VestidadeAfeto #EuCuidodaMae. Poste sua foto cuidando de uma mãe no puerpério, vamos ter empatia pelas outras mães e fazer isso virar um costume entre nós!

Dicas para viajar de carro com bebê

Para as mães, especialmente as estreantes, viajar com o bebê pode ser algo assustador no primeiro momento. Sair da rotina, passar bastante tempo no carro, e aqueles perrengues que surgem quando a gente menos espera.

Nós sempre gostamos de pegar estrada, já desde antes de Otto nascer. Viajei bastante grávida e, como minha sogra mora em outra cidade, viajamos com certa frequência. A primeira vez com Otto, inclusive, foi pra lá.

Muitas mães se queixam que os filhos não gostam de ficar na cadeirinha do carro. Não sei se é uma questão de acostumar desde bem cedo, mas fato é que Otto nunca reclamou.

Nas primeiras vezes, ele ainda estava só mamando, então nossa tática era: sai de casa depois da mamada e faz uma parada na hora da próxima, aproveita para trocar a fralda, dá o tempinho de arrotar e segue viagem. Funcionava super.

Com o tempo, passei a dar a mamadeira no carro mesmo quando ele estava com muita fome e descia mesmo se fosse passar mais de duas horas e meia, três horas na estrada, para podermos nos esticar e tirar o bebê um pouco do carro. Ou em caso de troca de fralda urgente – leia-se aquele cocô não esperado rs.

Agora ele já almoça e janta, então, tento fazer as paradas o mais próximo possível do horário dele comer. Quando dá, ótimo, se não der, dou mamadeira e deixo o almoço ou janta para mais tarde. Foi o que aconteceu dessa última vez. Paramos às 11h30, que é o horário do almoço dele, mas ele não quis comer, então dei o almoço quando chegamos, um pouco mais tarde. Sem estresse.

De resto, oferecer bastante água e sempre tirar da cadeirinha para dar uma esticada a cada vez que parar o carro. E curtir muito a viagem e ser feliz!

Chegando em casa


Esse post foi escrito há exatamente um ano, no dia 02 de maio de 2018, uma semana após Otto receber alta do hospital. Quando chegamos em casa, tive a ideia de criar o blog, comecei a escrever, mas depois desisti. Agora decidi retomar esse projeto, e hoje, mexendo aqui no editor, encontrei nos rascunhos esse texto, com a mesma data, e interpretei como um sinal, então decidi postá-lo sem editar.

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Depois de 55 dias no hospital, você só pensa em ter alta logo para poder, finalmente, levar seu bebê pra casa, curtir seu cantinho, mostrar a casinha pra ele e poder aproveitar o quartinho que foi planejado com tanto amor pra chegada dele.

A ironia aqui é que quando tivemos uma previsão de alta para o Otto, parecia que não queríamos mais. Bateu um medo, uma insegurança. Vamos saber cuidar? E se ele passar mal, sentir algo diferente? Se a saturação cair? Aqueles medos que acho que toda mãe de UTI tem.

A parte boa é que esse medo durou pouco. Logo depois me bateu uma segurança e senti que estava preparada pra cuidar dele em casa. Poder pegar no colo quando quiser, trocar fraldas e amamentar. Enfim, dar amor.

Nossa chegada foi tranquila. Otto dormiu todo percurso no carro. Não estranhou o ambiente em casa e ficou super bonzinho. Hoje já faz uma semana que chegamos e só tenho a agradecer. Ele segue bem e super calminho. A primeira consulta com a pediatra foi ótima, ele está super bem. Agora é curtir nosso pacotinho no conforto do lar.