Meu bebê nasceu prematuro e vai receber alta. O que preciso saber?

O momento da alta de um bebê prematuro é acompanhado de sentimentos muito intensos e diversos por parte dos pais e familiares. Alegria, alívio, ansiedade, medo, cansaço são emoções frequentes para os pais dos bebês prematuros muito pequenos, que podem ter ficado internados por um tempo muito longo, 3 a 4 meses, ou até mais. É também um momento de muitas dúvidas.

A proximidade e o vínculo entre a família e a equipe cuidadora (neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, e outros profissionais), construídos no dia a dia, facilita a programação da alta, que começa a ser organizada com bastante antecedência.

São muitos os critérios para a alta de um prematuro, e uma família segura e preparada para levar seu bebê para casa é um deles, sendo tão importante quanto alcançar um peso mínimo seguro, por exemplo.

É muito interessante o que acontece com as famílias no decorrer da internação: elas vão, gradualmente, aprendendo a entender a complexidade dos cuidados de uma UTI Neonatal, recebem notícias boas, notícias ruins e continuam caminhando com a equipe. Dessa forma, seguem mais confiantes diante de tantos acontecimentos durante toda a internação. Até que chega o momento em que já participam dos cuidados de seus bebês, recebendo treinamentos diários pela equipe cuidadora, tudo já fazendo parte do preparo para a alta hospitalar.

Com a compreensão de que há critérios muito claros para a alta segura, os pais e toda família aprendem e entendem que todo o cuidado precisa continuar após a alta, e sua importância nesse processo, juntamente com a equipe de profissionais.

Estamos, então, no momento do Seguimento do Prematuro, que acontecerá nos consultórios ou ambulatórios de Pediatria, sob os cuidados do pediatra/neonatologista capacitado para este cuidado tão específico, que requer, obrigatoriamente, protocolos de acompanhamento, equipes multiprofissionais, exames laboratoriais e/ou de imagem.

Os bebês que nascem prematuros, especialmente os menores que 35 semanas e aqueles com peso inferior a 2500g, irão precisar de seguimento com atenção no seu crescimento e desenvolvimento; no calendário de vacinação. Já os menores que 1500g e/ ou <32 semanas precisarão ainda de avaliação especializada como:

– Oftalmologista infantil, para acompanhamento do desenvolvimento da visão, mesmo para os bebês que não tiveram a retinopatia da prematuridade como complicação;

– Fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional, para ajudar nos marcos do desenvolvimento e atuar nos atrasos quando presentes;

– Fonoaudiólogo especialista em audição e linguagem para acompanhar o desenvolvimento da fala, intervindo se for o caso;

– Psicólogo, para o cuidado às famílias, bem como para realizar avaliações específicas do neurodesenvolvimento.

Outros especialistas poderão ser necessários dependendo das complicações que o bebê apresentou durante a internação.

Então, a nossa resposta para a pergunta que abre esse texto é:

“É fundamental que a família saiba que o acompanhamento do seu bebê pós alta é tão importante quanto foi a sua internação na UTI e que esse seguimento rigoroso, com pediatra capacitado e tantos outros profissionais, poderá fazer toda a diferença na qualidade de vida do seu bebê”.  

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Esse texto foi escrito pela Dra. Juliana Bottino Navarro, pediatra e membro do Departamento Científico da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Principais problemas de saúde e desenvolvimento em bebês prematuros

problemas prematuros

No mundo inteiro, nascem, anualmente, 15 milhões de bebês prematuros, de acordo com Organização Mundial de Saúde. No Brasil, os prematuros extremos (com menos de 1.5kg e nascidos antes de 30 semanas de gestação), como foi o caso do Otto, representam 1,5% dos nascidos vivos.

Como já falamos em posts anteriores, por ter saído da barriga antes do previsto, os bebês prematuros podem desenvolver uma série de problemas causados pela imaturidade dos órgãos no momento do nascimento.

Quanto menor a idade gestacional, mais grave pode ser a situação do bebê. Quando estava internada, com Otto prestes a nascer, me lembro de uma médica que me atendeu durante exame de acompanhamento dizer que a partir de 28 semanas, apesar de ainda ser considerado prematuro extremo, as chances de sobrevivência e sem sequelas são maiores.

Eu cheguei ao hospital com 26 semanas. Conseguimos aguardar em repouso por mais duas semanas, até que ele completou 28 e, após alterações nos exames, minha médica explicou que era hora dele nascer (tem post contando tudo aqui). Tenho certeza que esse tempo de espera internada no hospital e a experiência da minha médica somada ao timing em que ela percebeu que era melhor que ele saísse da barriga e ficasse bem na UTI, do que esperar mais alguns dias e a situação dele piorar muito, foi fundamental para a excelente evolução do Otto na UTI Neo e pós-alta.

Não sou médica e sempre falo que tudo que escrevo aqui é baseado em pesquisas e na minha experiência com Otto. Mas reuni algumas das principais dificuldades que os bebês podem encontrar após nascimento prematuro.

Por conta da imaturidade do pulmão, é comum que eles tenham dificuldade para respirar. Para o tratamento, eles são intubados ou recebem ventilação mecânica. Otto foi intubado durante cinco dias, depois ficou com o cateter de ventilação no nariz por bastante tempo até que retirou tudo e conseguiu respirar sozinho.

Problemas cardíacos e neurológicos também acontecem com os bebês pré-termo (não aconteceu com Otto, mas vi casos de outros bebês na UTI). Além de problemas imunológicos e intestinais – estes mais comuns nos prematuros tardios, nascidos entre 34 e 36 semanas.

Anemia e icterícia também podem acontecer. Otto teve icterícia e ficou no banho de luz por um ou dois dias; também recebeu transfusão de sangue por duas vezes.

Hemorragia intracraniana é muito comum e esperada em bebês prematuros. Otto teve essa hemorragia no grau 1, mas evoluiu muito bem; o próprio organismo reabsorveu rapidamente esse sangramento.

Não chega a ser um problema, mas algo que Otto demorou um pouco mais para evoluir foi na sucção e deglutição. Por conta disso, demorou a pegar o peito (tem post aqui). Mamou primeiro na mamadeira e fazíamos o estímulo no seio pouco a pouco até que ele se acostumasse e aprendesse.

Reuni as principais complicações e as que são mais comuns entre os prematuros, sempre traçando um paralelo com minha experiência com o Otto. O importante é que os pais se informem e sempre tirem todas as dúvidas com o pediatra de sua confiança. No caso do Otto, a pediatra é neonatologista (especialista em prematuros) e confiamos muito no trabalho dela. A evolução do Otto é admirável.

Espero que você tenha gostado do post e que ele te ajude alguma forma. Essa série de posts sobre prematuridade é para clarear as ideias de mães que, assim como eu, podem se encontrar numa situação de nascimento prematuro e não saberem nada sobre esse universo. Esses posts são para informar e mostrar o que você pode encontrar nessa jornada. E mais, para que não se sinta sozinha.

Deixe suas dúvidas ou comentários. É muito importante para que eu continue produzindo conteúdo de valor para vocês!

UTI Neo e equipe multidisciplinar: como funciona

UTI Neo 1

Esse post é para esclarecer como é o funcionamento de uma UTI Neonatal. Escrevo baseada na minha vivência enquanto Otto esteve internado e também em pesquisas que fiz para complementar as informações.

A UTI é composta basicamente por médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, além dos profissionais que realizam as coletas de exames (também médicos, enfermeiros e auxiliares).

Médicos

No hospital onde Otto nasceu a equipe de médicos pediatras ficava de plantão cuidando dos bebês e diariamente, às 11h, eles conversavam com os pais que estivessem na sala para atualizar sobre a evolução, ganho de peso, aumento do volume de mamadas, resultados de exames e próximos passos, entre outros assuntos.

Enfermeiras Neonatais

Elas coordenam todo o atendimento aos bebês, sua rotina na UTI junto às auxiliares, realizam aplicações de vacinas e medicamentos mais complexos, como inserção do pic (uma espécie de cateter para evitar de furar o bebê a todo momento). São o contato diário mais próximo dos pais quando o médico não está disponível.

Auxiliares de enfermagem

São elas que cuidam, de fato, dos bebês diariamente: trocam fralda, dão mamadeira quando a mãe não está presente, trocam curativos, enfim. São o colinho de aconchego quando a mãe não está. Seu papel é muito importante tanto para o bebê quanto para a mãe. Eram elas que me passavam as informações que eu queria saber sobre o Otto de quando eu não estava lá.

Fisioterapeutas

Os bebês prematuros em geral têm o pulmão um pouco mais frágil do que os bebês nascidos a termo, por isso, não são incomuns problemas respiratórios. O papel dos fisioterapeutas é prevenir ou tratar essas questões através de fisioterapia respiratória. São eles que controlam a ventilação mecânica, uso de Cpap, sonda de oxigênio etc.

banho UTI Neo
Rotina diária: trocas, mamadas e banho

Quando Otto nasceu, por conta da prematuridade extrema, ao chegar na UTI ele ficou em protocolo de manutenção mínima. Isso quer dizer que a equipe só podia fazer qualquer procedimento a cada seis horas. Passado esse período mais delicado, ele entrou na rotina de troca de fraldas e alimentação a cada três horas. No início ele recebia o leite via sonda, depois mamadeira e estímulo no peito (tem post detalhado aqui).

A higiene começou a ser feita apenas com algodão e água morna, devido ao tamanho e baixo peso. Quando ele atingiu 1.700Kg, começou a tomar banho na “saladeira”, uma bacia pequena que fica dentro da incubadora mesmo. Só com 2 kg ele pôde tomar banho na banheira convencional.

Essa foi a estrutura que observei enquanto Otto esteve na UTI Neo. Espero que ajude a tirar dúvidas das mães que estão passando por isso e não sabem muito bem o que esperar.

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Quanto tempo um bebê prematuro fica no hospital?

Quando Otto nasceu e foi para a UTI Neonatal, a primeira pergunta que fiz foi: quanto tempo ele vai ficar internado? E acredito que essa é a pergunta de todos os pais de bebês prematuros. A primeira resposta que tive de uma enfermeira foi a seguinte: é difícil prever, mas, geralmente, eles ficam, no mínimo, o tempo que deveriam estar ainda em formação na barriga. Faz sentido, não é mesmo?

Esse é o primeiro fator a ser considerado. Se ele ainda tinha um caminho a ser percorrido no ambiente intrauterino, natural que leve um tempo aqui fora – e talvez um pouco mais do que demoraria na barriga – para se desenvolver. Fora da barriga o processo acaba sendo um pouco mais lento e há outros fatores a serem considerados, além de que cada bebê é único.

Primeiro vamos lembrar que a gestação completa possui 40 semanas. Os bebês são considerados:

Prematuros extremos quando nascidos entre 24 e 30 semanas de gestação;

Prematuros moderados entre 31 e 36 semanas;

Prematuros limítrofes quando nascidos até 37 semanas.

Sabendo de quantas semanas o bebê nasceu, já dá para se ter uma ideia de quanto tempo ele pode ficar, considerando as semanas restantes até completar 40. Isso se não tiver nenhuma intercorrência no caminho. No caso do Otto, que nasceu de 28 semanas, e a previsão de nascimento era dia 18 de maio, ele ficou 55 dias na UTI Neo. Nasceu em 1 de março e teve alta em 24 de abril.

Um dia a mais na barriga são dois a menos de UTI, além de reduzir o risco de possíveis sequelas no bebê.

Falo pela experiência que tive com Otto e também o que pude ver enquanto estivemos no ambiente hospitalar. Felizmente, ele não teve nada além do que era esperado para um bebê com o grau de prematuridade dele. Tudo que ele teve era previsto: banho de luz por conta de icterícia; apresentou infecção e foi necessário tomar antibiótico; precisou de transfusão sanguínea duas vezes.

Ficou entubado por cinco dias, depois mais três dias no Cpap nasal (um aparelho que ajuda no desconforto respiratório do bebê sem precisar entubá-lo), então passou para o oxigênio pelo narizinho e por fim o catéter de baixo fluxo até que pudesse respirar sozinho. Mas nesse meio tempo, acontecem as temidas apneias, quando o bebê para de respirar. Otto teve alguns episódios e é um baita susto.

Durante a internação, ele tomou duas doses de palivizumabe (ou Synagis), medicamento de extrema importância para os prematuros. Tem post completo sobre ele aqui. Também fez o exame de fundo de olho duas vezes e não houve nenhum problema oftalmológico. Falo mais sobre esse exame aqui.

Outra coisa que é comum acontecer com os prematuros, mas que pode assustar um pouco os pais é a hemorragia cerebral. Ela pode acontecer em diferentes graus. Otto teve grau 1 (esperado no caso dele) que foi absorvido naturalmente pelo organismo. Vi alguns bebês sendo operados por hérnia, mas Otto não precisou.

Quando deveria completar 34 semanas de gestação, é dado início ao estímulo no peito. Até então ele recebia meu leite via sonda. Depois, ainda com a sonda, ele começa a aprender mamar na mamadeira, antes de ir para o peito. Não é logo de cara que eles reconhecem e passam a mamar no peito.

Quando o bebê está apto a ter alta?

Na maternidade onde Otto nasceu, o critério para a alta é o peso, quando o bebê completa 2 kg, – somado, claro, a fatores como a mamada e capacidade de respirar sozinho. Quando Otto teve alta, ele estava com 2.110 kg, mas ainda não pegava no peito tão bem, mamava na mamadeira. Foi mesmo em casa, num trabalho de formiguinha, que ele acabou pegando. Consegui amamentar até 9 meses. Aqui tem um post bacana sobre amamentação dos prematuros.

Durante a internação os pais vão percebendo a evolução do bebê. No hospital São Luiz, onde Otto nasceu, eles são separados por salas que diferenciam grau de prematuridade e complexidade dos casos. Conforme o bebê vai evoluindo, vai mudando de sala, até chegar na sala pré-alta.

O que eu quero trazer com esse post é uma luz para mães que, como eu, são pegas de surpresa pelo parto prematuro e não têm ideia do que é isso, as possíveis consequências, enfim. Não existe uma fórmula que diga quantos dias o bebê ficará internado, mas sabendo um pouco mais sobre o que pode acontecer, para estar preparada e saber o que esperar, já ajuda muito, tenho certeza!

Espero poder ajudar essas mães que estão passando por isso a enfrentar de uma maneira mais leve e com um pouco mais de conhecimento da situação. Compartilho aqui minha experiência que pode ser parecida com a de outras mães.

Se esse post te ajudou ou pode ajudar alguém, deixe aqui seu comentário e compartilhe com outras mães que podem se interessar e se beneficiar!

Quais são as causas para o parto prematuro?

grávida

O Brasil possui uma taxa de 11,5% de partos prematuros, de acordo com a Fiocruz e a OMS. Somos o décimo país no ranking da prematuridade, segundo o estudo Born To Soon, da ONG americana March of Dimes.

A verdade é que ainda são desconhecidas todas as causas do parto prematuro. Mas fato é que toda gestante está sujeita a ter um parto mais cedo do que o esperado. Alguns fatores são conhecidos e podem ser evitados e vou falar um pouco sobre eles neste post.

O meu parto foi prematuro devido ao quadro de pré-eclâmpsia (contei aqui), bem comum de acontecer. Como no meu caso, que já passei pelo parto prematuro, a chance de acontecer novamente é maior.

Também têm maior risco gestantes de gêmeos ou múltiplos, com problemas de colo do útero ou uterinos.

Importante falar sobre fatores pelos quais temos controle, como não deixar de fazer o pré-natal corretamente (para detectar qualquer alteração que possa acontecer), cigarro, álcool (mesmo em doses muito pequenas pode causar dificuldades de aprendizagem e problemas de desenvolvimento), drogas e estresse.

Os demais fatores conhecidos: infecções do trato urinário, sangramento vaginal, diabete, obesidade, distúrbios de coagulação, anomalias congênitas do bebê, gestações próximas (menos de seis a nove meses entre o nascimento de um bebê e uma nova gestação), idade abaixo de 17 anos e acima de 35, gravidez gerada por fertilização in vitro.

Também podem ser causa de parto prematuro: bolsa rota/ruptura prematura de membrana, síndrome de Hellp, descolamento prematuro da placenta, malformações uterinas, placenta prévia e malformações fetais.

Alguns sinais podem indicar que você está em trabalho de parto prematuro:

  • Contrações a cada 10 minutos ou mais
  • Mudanças na secreção vaginal
  • Pressão pélvica
  • Dor lombar
  • Cólicas menstruais
  • Cólica abdominal com ou sem diarreia

Nesses casos ou se houver dúvida, ligue imediatamente para o médico.

Já falei várias vezes aqui no blog que na maternidade aprendemos que não temos controle de tudo. No caso do parto não é diferente, mas existem algumas ações possíveis para tentar prevenir o parto prematuro:

Assim que engravidar, avise seu médico, comece o pré-natal o quanto antes e siga corretamente

Deixe seu médico a par de todo seu histórico de saúde e possíveis fatores de complicação

Mantenha dieta equilibrada e controle seu peso

Não beba e não fume

Não se automedique

Faça exercícios

Mantenha sua vacinação em dia

Converse com seu médico sobre o consumo de ácido fólico e vitamina B12 que evitam o desenvolvimento de malformações e danos no sistema nervoso

Esteja alerta para sangramentos

E, se posso deixar uma mensagem de alívio, como quem já passou por isso, eu digo: Mantenha-se tranquila! Eu sei que é difícil e é mais fácil falar do que na prática. Mas isso vai fazer toda diferença para você e para o bebê. Você vai passar calma para ele e ao mesmo tempo se manter em equilíbrio durante essa jornada. E tenha em mente o mantra: tudo vai dar certo!

O que achou do post? Espero que possa ajudar de alguma maneira! Deixe suas dúvidas e comentários!

Obs.: Não sou médica. Esse post foi escrito baseado na minha experiência e em pesquisas que fiz sobre o tema. Se tiver qualquer dúvida, converse com seu médico!

A importância do método canguru para os bebês prematuros

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Quem teve bebê prematuro sabe quão valiosos são os momentos passados fazendo canguru com os pequenos.
O método, também chamado de pele a pele, é bom tanto para os bebês quanto para os pais porque aquece o nosso coração poder ficar com eles ali coladinhos na gente.
O contato pele a pele é muito importante para os bebês prematuros e tem grandes benefícios:
  • Aumenta o vínculo entre a mãe/pai e o bebê;
  • Favorece melhor controle térmico, já que a mãe aquece o bebê naturalmente;
  • Estimula o aleitamento materno (sempre que fazia pele a pele, ficava com o peito vazando leite);
  • Diminui a permanência hospitalar;
  • Proporciona maior confiança aos pais para manusear a criança de baixo peso, inclusive após a alta.
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Quando Otto esteve na UTI, só pôde fazer canguru depois de 13 dias. As enfermeiras pediam que ficássemos, pelo menos, uma hora com ele no colo, pois tirar da incubadora (onde ele tinha a temperatura e umidade necessárias), somado à manipulação da enfermeira para trazê-lo ao colo, era bem estressante pra ele. Se fizesse o retorno antes de uma hora não seria bom. Mas era tão gostoso, que ficávamos mais do que isso. Eu relaxava tanto que dava até um soninho nesses momentos. Já fazia parte da minha rotina no hospital: todos os dias após o almoço, eu fazia a ordenha e depois entrava na UTI para fazer pele a pele.

Tenho certeza que o método também deu um empurrãozinho para o melhor desenvolvimento do Otto durante a internação, para que saísse logo e saudável.

Uma vez, uma enfermeira disse que os bebês gostam de fazer pele a pele porque ouvem o coração da mãe e isso remete ao período em que estiveram no útero. Achava lindo e sempre pensava nisso quando estávamos juntos, e acho que essa é uma lembrança que temos até hoje. Otto vira e mexe pede um colinho e fica deitado grudadinho de chamego ouvindo o coração da mamãe.

Contem aqui nos comentários suas experiências com o método canguru.
*Contém informações retiradas do site prematuridade.com

Bebês prematuros: idade cronológica x idade corrigida

Quando soubemos que o Otto iria nascer no dia seguinte, surgiu uma ligeira dúvida sobre se a data considerada seria aquela ou o dia em que estava previsto o nascimento.

Pura ignorância nossa. Algo totalmente novo pra gente. Data de nascimento é uma só e pronto. O dia em que nasceu (dãr).

Mas para os prematuros é considerada mais uma data para algumas questões, a data em que o bebê teria nascido a termo.

Por exemplo: Otto nasceu pouco mais de 2 meses antes do previsto. Quando ele saiu da UTI e foi para casa, já com quase 2 meses, era como se fosse recém-nascido.

Começamos a introdução alimentar com 8 meses, pois era equivalente a 6 meses de idade corrigida (idade em que normalmente os bebês começam a IA).

Na parte de desenvolvimento motor também é considerada a idade corrigida, pois pode haver algum “atraso” nas habilidades. Quando fizemos fisioterapia, a médica sempre observava tanto a idade corrigida, quanto a cronológica. Por vezes ele estava dentro da idade corrigida, mas ainda não tinha atingido o esperado para a idade cronológica. Normal e super dentro do esperado. Outras vezes, além de realizar atividades próprias da idade corrigida, também já tinha chegado à idade cronológica.

Para a vacinação, considera-se a idade cronológica, ou seja, as vacinas de 2 meses foram tomadas aos 2 meses de idade e assim por diante.

Pode parecer meio confuso no começo, mas logo a gente aprende e acostuma.

Cuidados especiais com bebês prematuros

Nem todo mundo sabe (eu mesma não tinha ideia), mas os bebês prematuros precisam de cuidados extras, além daqueles que temos normalmente com bebês nascidos a termo (de 9 meses).

O pulmãozinho pode não estar bem formado, eles podem ter problemas oftalmológicos e de audição. Por isso, reuni aqui nesse post os cuidados que tivemos com o Otto desde o nascimento e ainda temos até hoje, como uma forma de precaução para evitar qualquer problema futuro.

Oftalmologia

Os prematuros nascidos com menos de 32 semanas e abaixo de 1.5kg podem ter uma doença chamada retinopatia da prematuridade. Ela acontece com a interrupção da formação natural dos vasos sanguíneos da retina, causada pelo nascimento adiantado. Se não for corretamente tratada, pode causar cegueira.

Para que ela seja diagnosticada, o oftalmologista da UTI Neo faz o teste do fundo de olho, que diz se o bebê tem e em que estágio está.

Os testes do Otto foram muito bons desde as primeiras vezes na UTI. Após a alta, a pediatra pediu que fizéssemos o acompanhamento. Ela mesma conversou com a oftalmo e contou um pouquinho do histórico do Otto. Quando passamos na primeira consulta, ela nos contou que esperava um caso complicado por conta da prematuridade extrema e o baixo peso do Otto. Mas ela ficou muito feliz com o que viu. Os vasinhos da retina já estavam praticamente formados e não apresentavam problema algum. Passamos por mais duas consultas apenas por desencargo mesmo. A última foi com 7 meses e agora em junho, com 1 ano e 3 meses, teremos um retorno para garantir que continua tudo bem.

Fisioterapia

Quando completou 6 meses, a pediatra o encaminhou para a fisioterapeuta. Queria que ele fosse avaliado para sabermos sobre a necessidade de um acompanhamento mais intenso.

A fisio fez muitos exercícios de estímulo para virar, ficar de bruços, entre outros, e me ensinou algumas coisas, explicando o que eu precisava estimular no dia a dia em casa. Pela avaliação dela, não era necessário sessões semanais; pediu que voltássemos uma vez por mês. E foi assim até completar 1 ano, com evoluções perceptíveis a cada sessão. Com 1 ano ele teve alta e dois meses depois começou a andar.

Teste auditivo

Todo bebê faz o chamado teste da orelhinha ainda na maternidade. Otto fez e foi tudo ok. Quando completou 1 ano, a pediatra pediu para fazer novos exames: emissões otoacústicas e potencial evocado auditivo (BERA), para avaliar se há algum problema com a audição. Ambos são feitos dormindo; são colocados fones no ouvido e eletrodos na cabecinha, não machuca, é rápido e super tranquilo. Felizmente, os resultados também foram bons.

Fono

Começamos a introdução alimentar aos 8 meses, mas antes disso, Otto precisou passar pela fonoaudióloga, para que ela avaliasse sua sucção e deglutição e se havia perigo de engasgos. Foi tudo bem na avaliação e ela o liberou para a IA.

Essas foram as avaliações pelas quais Otto passou nesse primeiro ano de vida. Lembrando que cada caso é diferente, e compartilhei aqui minha experiência com o Otto. Em caso de dúvidas, consulte sempre seu pediatra.

Tem alguma dúvida ou quer deixar seu comentário sobre esse post ou outro assunto do blog? Escreva aqui na caixa de comentários, abaixo do post. Será um prazer trocar ideias e interagir com vocês!