A maternidade

Ela sempre gostou de crianças. Era aquela pessoa que não podia ver um bebê que já logo pedia para pegar no colo e acompanhava de perto os bebês de amigas e familiares, sempre atenta a esse universo.

Depois de casada, sabia que queria, mas não o fez logo de cara. Quando pensou que poderia ser a hora, chegou a se questionar se iria percorrer aquele caminho por vontade própria ou se estava apenas fazendo “o que manda o figurino”, já que vinha compondo a tríade – faculdade, casamento e então, filhos.

O casamento estava na melhor forma, a idade era boa, a liberdade conquistada também. Após atravessar problemas familiares, aquele período era um respiro para o casal, vivendo momentos de plena felicidade em sua própria casa, indo a restaurantes, curtindo viagens…

Após ponderar tudo, concluiu que a jornada da maternidade aconteceria. E que todos aqueles bons momentos eram efêmeros. O tempo iria passar e chegaria um hora em que seriam apenas os dois, e isso seria muito sem graça na velhice.

Partiu rumo a essa jornada tão romantizada quanto desconhecida. E por mais que as pessoas falem e espalhem teorias por aí, cada caminho é muito particular. Primeira lição: você não tem controle de nada – um problema para alguém que vinha se descobrindo altamente controladora.

Mas a parte boa que ela encontrou nisso tudo foi ter se descoberto. Sim, porque na busca por conhecer e oferecer seu melhor ao filho, deparou com um caminho tão lindo quanto tortuoso e dolorido: o de se autoconhecer.

Um caminho sem volta que proporcionou um mergulho interno profundo e constante. Que expõe feridas, mas também apara arestas e a torna melhor para ensinar o melhor ao filho. Não é fácil, mas é bonito e gratificante.

A terapia

Ela sempre foi simpatizante da psique e de diferentes formas de terapia que explorassem a mente humana. Psicologia, inclusive, foi uma das opções de faculdade cogitadas na época do vestibular.

Porém, a terapia ainda não tinha sido um terreno explorado por ela. Achava chique quem fazia e sempre teve curiosidade sobre o processo para o conhecimento próprio. De alguma forma, seu momento de adentrar esse universo ainda não tinha chegado.

Depois de identificar uma certa ansiedade invadindo sua vida e atrapalhando de alguma forma, achou que era hora. Não foi fácil conseguir horário.

Chegado o dia, a temida ansiedade e uma certa tensão por medo do desconhecido apareceram. Apesar disso, ela conseguiu se abrir, e, com as perguntas certas feitas pela psicóloga, pôde acessar gatilhos que ela própria não sabia que poderiam sê-lo.

Fez um retrospecto e muitas coisas passaram a fazer sentido. A sessão foi curta, passou rápido, e apesar de não entender ainda muito bem a dinâmica entre profissional e paciente (aquela cara de paisagem e ausência de expressões durante seus relatos pareceram estranho num primeiro momento), ela acredita que foi uma boa primeira impressão e que pode agregar de maneira positiva em sua vida.

Uma reflexão sobre morte

A única certeza absoluta que temos na vida é que a morte um dia irá chegar para todos nós, cedo ou tarde.

Quando ela chega cedo a pessoas conhecidas, esse pensamento toma conta e traz a reflexão. Esse fim de semana soube da morte de um ex-colega de trabalho que me deixou chocada e me fez questionar: não foi cedo demais? Afinal, quando não é cedo demais?

Uma pessoa jovem, que deixa família, amigos, enfim, uma vida que se vai e deixa rastros. Acredito que temos uma missão a cumprir nesse plano, e uma vez cumprida, após nossa evolução e aprendizados enquanto seres espirituais, a passagem acontece.

Mesmo sabendo disso, é difícil não questionar qual o plano quando a partida é prematura. Quantos desejos e sonhos ficam para trás, quantos momentos especiais deixam de ser vividos.

O clichê cabe muito bem aqui: é preciso viver cada dia como se fosse o último. Nunca saberemos quando será o último beijo, o último eu te amo, o último abraço. Então nos resta cumprir nossa missão aqui com amor e alegria para que, quando nossa hora chegar, deixarmos saudade e o perfume de uma vida bem vivida e preenchida de amor.

Amizade

Existem diferentes tipos de amizade. Desde crianças até a fase adulta vamos conhecendo pessoas e ampliando nosso círculo. Algumas seguem a caminhada ao nosso lado, outras vão por outros rumos e nunca mais ouvimos falar.

Tem a amiga da escola, do prédio, do bairro, do inglês; os amigos da faculdade, do trabalho; amigo do amigo; amigo do marido/esposa; filho da amiga da mãe, enteados da mãe ou do pai… são diferentes relações com um só propósito: a cumplicidade.

Para dividir, histórias, momentos, dúvidas. Em diferentes fases da vida, aparecem diferentes amigos. Com uns, temos mais intimidade, com outros menos. Mas uma coisa é certa e comum entre eles: todos vêm para nos ensinar alguma coisa.

Por isso alguns vão embora. Talvez já tenham cumprido a missão deles. Aqueles amigos-irmãos que parece que nunca vão sair de perto, uma hora simplesmente somem. Mas o mais legal de tudo isso é que quando há verdade e cumplicidade, pode ficar o tempo que for sem ver, mas quando se encontra, é como se tivesse sido ontem.

E quando a relação estremece? A parte boa da maturidade em amizades verdadeiras é que tudo se resolve com uma conversa sincera e de coração aberto. Sem cobranças ou ofensas. Apenas expressão de sentimentos com muito respeito.

Uma das coisas mais valiosas da vida é saber que se passou por ela e pôde contar com bons amigos. Não precisam ser muitos. Podem ser poucos, mas que sejam amizades verdadeiras.

Silêncio e individualidade

Ela é filha única, os pais se separaram quando ainda era criança. Morando com a mãe, se acostumou ao silêncio e calmaria que essa convivência trazia. Sem falar da necessidade de individualidade que foi desenvolvendo ao longo do tempo.

Casas cheias, convivência com muitas pessoas e o barulho e conflitos que esses cenários podem gerar nunca foram muito sua praia. Sempre fez tudo para fugir dessas situações.

Dias atrás ela e a família foram convidados para passar uns dias na casa de praia de amigos queridos. Lá estariam muitas pessoas, barulho, falta de rotina, enfim, tudo que ela não gosta. Mesmo assim decidiu aceitar.

Chegando lá a recepção não poderia ser mais calorosa. Todos muito atenciosos. Inclusive as crianças, que receberam o menino, filho único, mas super sociável – ao contrário da mãe, com alegria e curiosidade.

Foram dias mais barulhentos sim, mas mais alegres, que proporcionaram novas amizades ao menino, brincadeiras, momentos de aprendizado e autonomia. Para o casal, muitas conversas e trocas, risadas, drinks e lembranças de outras boas memórias.

Depois de ir embora, ela percebeu que nem tudo precisa pender sempre para um só lado. É possível sair da zona de conforto e transitar por situações que ela acreditava não ser agradáveis por se fechar no seu universo paralelo. Isso é equilíbrio, é autoconhecimento e aprender a lidar com os próprios sentimentos.

Quando chegou na sua casa tranquila e silenciosa, teve saudade dos momentos que passou na casa de praia. E entendeu que ela pode se permitir viver momentos barulhentos e fora da rotina milimetricamente calculada; e, quando voltar, se encontrar novamente dentro da própria individualidade.

Feliz ano novo!

Início de ano é sempre tempo de recomeçar com esperança. Após o tumulto e correria que costuma ser o mês de dezembro, janeiro traz a paz e a calmaria necessárias para se reenergizar, pensar em novos projetos, começar algo novo, que está sendo adiado faz tempo, dar start no exercício, na dieta… Muitos planos.

Esse ano, especialmente, traz a expectativa de mudanças positivas depois de dois anos da crise mundial que atravessamos com a pandemia de Covid-19. A sensação é de ter dado uma pausa na vida durante esse período; alguns planos e projetos tiveram que ser adiados ou deixados para trás.

Apesar disso, não fiz uma extensa lista de objetivos para esse ano. São metas realistas, mas que exigem foco e determinação para saírem do papel para a vida real.

Fazer aula presencial de yoga, voltar a correr e retomar meu ritmo de leitura (por algum motivo me perdi nesse objetivo ano passado, mas ainda assim foi um saldo positivo) são alguns deles. Por último, mas não menos importante, está escrever mais. Uma atividade que me dá muito prazer, mas que acabo deixando de lado.

Tenho ideias de temas e pautas que vou deixando de lado e acabo não dando vida a eles. Esse ano, quero que seja uma prioridade pra mim. Além das pautas que costumo abordar aqui no blog, me comprometo a escrever, semanalmente, uma coluna com cara de crônica/pensata inspirada em artigos de personalidades da grande mídia que leio, admiro e são fonte de grande inspiração pra mim.

Essa de hoje é a primeira delas. Quero exercitar meu olhar sobre o cotidiano, sobre a vida, as relações familiares, de amizade, os dilemas profissionais e da maternidade, entre tantos outros assuntos, e traduzi-lo em textos agradáveis que sirvam de insights e reflexões para quem ler.

Vamos comigo nessa caminhada. Espero que você goste de acompanhar.

Busca pela missão de vida

Muito se fala sobre missão e propósito de vida. Sempre pensei muito sobre isso e, sinceramente, ainda não descobri os meus. Aquele principal, da vida mesmo, que vai fazer sentido na minha trajetória.

Mas eu sei que me descobri e me reconheci em uma linda missão que é ser mãe. O amor, a alegria, encantamento e aprendizados que esse papel me traz são inesgotáveis. E, sem falsa modéstia, eu venho desenvolvendo muito bem essa faceta. Ainda estou só no começo, é verdade, mas já sinto que peguei a trilha certa.

O caminho é longo e pode ter umas pedrinhas no caminho. Mas quando tem intenção e leveza, não tem como dar errado.

Então, ainda que eu nunca encontre meu propósito, já terei me encontrado e reencontrado inúmeras vezes dentro dessa longa estrada que é ser mãe.

O infinito universo da meditação

“Meditação não é algo que a gente faz. É algo que acontece com a gente.”

Ouvi essa frase esses dias e fiquei refletindo sobre ela. É verdade.

Comecei a meditar há quase três anos num misto de curiosidade com uma busca por me conhecer mais e também como uma ferramenta para tornar os dias mais tranquilos.

Depois de ler que pessoas importantes faziam uso da prática e mudaram suas vidas com ela, queria conhecer o poder da meditação.

No início, eu não sabia se estava fazendo direito ou se aquilo estava “fazendo efeito”. Eu simplesmente fazia. Sozinha, com a ajuda de um aplicativo, eu fui mergulhando nesse universo.

Não tem certo e errado, o importante é se concentrar, relaxar e deixar as coisas acontecerem. E acontece. A sensação de paz e calmaria é tão boa, que tem dia que tenho vontade de não abrir mais os olhos.

Como benefícios, além da sensação de tranquilidade que eu falei, é possível ter insights e receber respostas para certas questões, além de permitir viver mais em momento presente, tendo total consciência de cada momento vivido e cada pensamento que possa passar pela mente.

É tipo mágica. Você fecha os olhos e mergulha num universo infinito, que está logo aí, dentro de você. Sua consciência expande e você deixa de viver no automático. Passa a examinar de perto seus sentimentos, emoções, reações e comportamentos, buscando entender e acolher cada um deles.

E realmente acontece, basta se entregar que simplesmente acontece!

Os incríveis 3 anos

Se os 2 anos são considerados a adolescência dos bebês e chamados de terríveis 2 (em referência ao terrible two, em inglês), por aqui não teve nada disso. Em compensação, os 3 anos vieram cheios de emoções e mudanças.

Foi o momento de dar tchau para a chupeta, para a fralda, o quarto passou pela transformação de quarto de bebê para quarto de criança, com cama de solteiro. E, por falar em quarto, é lá que agora ele dorme todas as noites. E é lá que ele quer continuar quando acorda assustado no meio da noite; prefere minha presença ali ao lado dele do que correr para a minha cama.

São cada vez mais palavras, conversas e percepções novas. Ele já se enxerga como indivíduo, que tem sentimentos e vontades.

Foi também o ano em que enfrentamos uma internação na UTI que nos deixou marcas, mas que também nos fortaleceu e ensinou muito, além de aumentar ainda mais nosso laço e conexão.

Foi aos 3 anos que ele vivenciou a primeira festinha da amiguinha da escola. E como ficou feliz de de estar brincando com todos os amiguinhos com quem passa boa parte dos dias.

Me peguei pensando em tudo isso esses dias e fiquei reflexiva, relembrando tudo, pensando na importância desses marcos, como isso contribui para o crescimento e amadurecimento dele. Mas também me pega um pouco de jeito porque cada vez mais vou me distanciando do bebê (que ele já não é há muito tempo, sei disso – ele mesmo gosta de dizer que é um menino grande), que cresce mais a cada dia.

Ainda tem alguns meses até que acabem os 3 anos e outras coisas ainda devem acontecer. Mas, por enquanto, já posso dizer que são incríveis 3 e que vão ficar marcados na minha memória como fase de transição do bebê para o “menino grande”, como ele diz, me deixando saudade das fases que passaram, mas também me enchendo de orgulho do grande menino que ele está se tornando.

Saúde e gratidão

A saúde muitas vezes pode ser vista como uma analogia à limpeza de uma casa: quando está tudo limpo e ajeitado, ok. Talvez ninguém nem repare. Mas experimenta deixar tudo sujo e bagunçado pra ver.

Com a saúde é assim também. Enquanto está tudo bem, muitas pessoas talvez não deem o devido valor. Mas se ela faltar, vai fazer uma diferença enorme. E só assim que se vai reparar.

Aprendi que a saúde é um bem maior quando a minha mãe descobriu o primeiro câncer, em 2009. E isso foi reforçado no retorno da doença em 2013/2014, quando ela faleceu. E, mais recentemente, recebi o lembrete quando todos em casa tivemos covid e meu filho ficou 5 dias na UTI.

Não tem preço que pague uma vida saudável, livre de doenças e de hospitais, consultas médicas, exames e afins.

Me peguei pensando nisso essa semana, quando meu filho ficou doentinho – aquelas viroses de criança – e me veio à cabeça todos esses cenários anteriores que eu citei.

Depois daquela maratona de noite acordada, criança vomitando, passar o dia caindo de sono, mas no fim do dia ver que ele estava melhor, cheio de energia, e pensar que apesar de ter passado o fim de semana fechada em casa, me sentia grata. Pela nossa casa confortável para poder cuidar dele, pela nossa família que está sempre unida, nas horas boas e naquelas nem tanto, pelo tempo junto…

É a arte de estar presente e de sentir gratidão até mesmo pelas pequenas dificuldades diárias. São elas que nos ensinam, nos fortalecem e nos formam. Gratidão pela vida e pela saúde, sem ela não somos nada.

Sono compartilhado

Quando a gente se torna mãe, passa a conhecer conceitos que antes nem imaginava. Um deles é o sono compartilhado, quando o bebê / criança dorme no quarto dos pais.

Quando chegou da maternidade, meu filho passou a dormir em um um mini-berço no meu quarto, por sugestão da pediatra e também porque nos sentíamos mais seguros assim, já que ele era prematuro, além de tudo.

Ele foi crescendo, o mini-berço diminuindo, ele aprendeu a pular o tal do berço e muitas vezes dormia na nossa cama. Aos seis meses, a pediatra já tinha dito que ele estava preparado para ir para o próprio quarto. Mas aquela comodidade, misturada com uma preguicinha de ensinar a criança a dormir sozinha, ter que perder noites de sono novamente, quando tudo já caminhava muito bem – obrigada, não era uma opção atraente.

O mini-berço então deixou de servir; pelos motivos acima tive a ideia de colocar o colchão do berço ao lado da minha cama. Assim, ele estaria no meu quarto, mas teria sua “própria cama”.

Lá se foram 3 anos e meio (😂). É, minha gente, maternidade é isso: pagar a língua no crédito e no débito!

Agora ele já tem uma cama de solteiro, com seu telhado e tendinha. Estava todo animado no início. Mas na hora do vamos ver, ficou desconfiado, assustado. Não queria dormir. Já são quatro noites que ele pega no sono na própria cama, no próprio quarto. Do jeito que eu imaginava: eu ali do ladinho dele, depois de contar uma história ou assistir um desenho juntos.

Ele ainda levanta de madrugada e vai correndo pra minha cama. Também pudera, tanto tempo fazendo isso, não é de se esperar que ele vá mudar de uma hora pra outra, né? A sensação é de ver o tempo voar, ver meu menino crescer, se tornar autônomo e independente. E, apesar da nostalgia de perder meu bebê, vem o orgulho da criança que ele está se tornando e do trabalho que fazemos como família. Com sono compartilhado ou não, o importante é ele saber que sempre vai ter um colo quentinho pra correr quando ele quiser.

Adeus, Apollo

Ela não era muito ligada em animais. Ele gostava e queria muito ter, mas faltou oportunidade. Quando completaram um ano de namoro, ele a encontrou. Resolveu dar um filhotinho de labrador como presente de comemoração.

Não precisou de muito esforço para convencer os envolvidos. Aquela bolinha gorda e peluda com olhar pidão conquistava até o mais duro dos seres humanos. Foi batizado Apollo, o deus do sol, apesar dos pelos pretos azulados de tão brilhantes.

A bolinha de pelos foi crescendo, aprontando trapalhadas como as do Marley no filme. Comeu porta de madeira, sapatos, rasgou sacos de lixo… mas era muito querido por todos.

O cachorro, que “deveria ser tratado como cachorro”, nas palavras dele e morar no quintal, passou a morar dentro de casa quando a sogra faleceu e o casal se mudou. Apollo, que a essa altura era membro muito querido da família, foi promovido e dormia dentro do quarto nos dias mais frios, quem diria.

Viveram juntos por vários anos. Viajaram, iam a parques, casa de amigos, era muito companheiro. Mudaram de casa novamente, chegou um bebê para disputar espaço com ele. Mas Apollo sempre foi resiliente, conhecia seu espaço, passou por todas as fases com muita elegância.

Quando o bebê chegou, ele já tinha certa idade, não mais o pique e energia inesgotáveis de filhote. Mesmo assim, aguentou pacientemente todos os abraços, puxões de orelha e mais algumas travessuras que aquela bolota humana fazia com ele.

Porque ele era assim: amável, carinhoso, sabia quando alguém estava triste e conseguia consolar apenas pelo olhar amoroso ou pela simples presença.

Doze anos se passaram. Aquela fortaleza agora não aguentava mais os longos passeios; a audição não era mais a mesma e ele passava boa parte do tempo dormindo.

Ela achava que ele ainda viveria uns bons anos, mas ele dizia que não. Apollo estava velhinho e logo chegaria sua hora de partir. Talvez ele soubesse que esse momento havia chegado, já que nas duas últimas noites dormiu no quarto do casal – algo que há muito tempo não fazia.

Naquela manhã de sábado não deu seu religioso passeio pelas ruas do bairro. Ela o abraçou, fez carinho, conversou, mas Apollo não respondia. Quando saíram de casa, ela sentiu que ele poderia não mais voltar. Aquela era a despedida.

Apollo foi passear no céu dos cachorros e deixou aqui memórias e aprendizados de uma vida inteira de muito amor que deu e recebeu. O amor mais puro, verdadeiro e incondicional que existe: o de um bichinho pelo seu dono. A dor da partida é grande demais. Mas fica toda honra e gratidão que eles sentiram por ter convivido com Apollo nessa vida.

Encontro com a própria sombra

O que acontece quando se está em contato profundo consigo mesmo e é possível acessar camadas do subconsciente e da memória que você nem lembrava mais (ou preferia deixar lá esquecido)?

É como estar numa sessão de terapia, mas o terapeuta é você mesmo. Você é capaz de escolher as portas que deseja abrir e as memórias e traumas que deseja acessar e trabalhar. A relação de tempo e espaço fica completamente distorcida: um momento agradável e aconchegante pode parecer durar pouco, já um desconforto de minutos parece horas intermináveis. Tudo isso no intervalo de uma música.

É uma experiência tão terrível quanto maravilhosa. Terrível porque lidar com sentimentos, crenças e talvez traumas que até então você não queria trazer à tona, ou, ainda, nem sabia da existência, dói. E maravilhoso porque é incrível ter o poder de acessar e curar feridas que antes machucavam, fazer as pazes com o passado.

A verdade é que todas as vivências estão lá guardadas em algum compartimento. Mas o cérebro deixa arquivado e escondido como mecanismo de proteção. Como o universo é perfeito, esse acesso será feito no momento certo.

Ouvir a voz do eu superior pode ser libertador e ao mesmo tempo uma luta interna consigo mesmo. Lá no fundo, você sabe o melhor caminho, mas às vezes, prefere ficar brigando com as possibilidades.

O mais maravilhoso de passar por uma experiência dessa, de mergulhar profundamente para dentro de si, é se conhecer ainda mais, ampliar a consciência sobre si mesmo, sobre o mundo. E saber que nunca mais será igual. A certeza é de mudança muito positiva e de um passinho a mais no caminho da evolução.

Um passinho a mais no entendimento do porquê passamos por algumas situações e o que temos que aprender com cada uma delas. Só passando pela tempestade é possível encontrar o arco-íris. E, para isso, encontrar a própria sombra é imprescindível na jornada do autoconhecimento.

Um brinde aos 35 🍸

Me peguei lembrando de quando estava completando 25. Toda expectativa que as pessoas geralmente colocam sobre os 30 anos, eu coloquei nos meus 25. Havia criado todo um cenário de vida perfeita: bem sucedida no trabalho, com um super salário e morando sozinha no próprio apartamento. Aquela fórmula pronta de estudo, carreira, sucesso e dinheiro que nos enfiam guela abaixo a vida toda.

Eis que agora, dez anos depois, a poucos dias de completar 35, fiz novamente um balanço. Como eu era boba naquela idade. Não sabia metade do que estava por vir. Mas aquela menina que pouco sabia foi importante e faz parte de quem sou hoje.

Minha vida não é como a que eu esperava ou idealizava lá atrás. Ela é muito melhor. É perfeita? Não. Significa que não haja pontos que devam ser mudados ou com os quais não estou totalmente realizada? Sim. Mas tudo isso faz parte da pessoa que estou construindo.

Hoje sou muito feliz com tudo que fiz e como me transformei nesses anos. O destaque vai para meu lado mãe, que é o melhor dos meus papéis. E foi com ele que pude viajar internamente e revelar tantas coisas escondidas, trazer à tona partes de mim que eu nem sabia existir.

Minha viagem pelo autoconhecimento está no começo ainda, mas já diz tanto sobre a minha jornada e meu papel aqui. Os 35 vêm como um marco. Não mais a juventude e imaturidade dos 20, ainda não tão sábia e madura como acredito que sejam os 40. Mas no melhor que posso ter dos meus 30 e poucos. Não há tempo melhor do que o presente. E é esse que quero viver com todas as dores e delícias que me traz. Um brinde aos 35!

Meu mundo cinza

Tenho dificuldade de usar cores. Venho me observando há algum tempo e essa característica vinha se mostrando cada vez mais forte. Sempre amei um pretinho neutro e básico (amplio o leque para cinza e azul marinho). Dia desses, me lembrei de uma frase da minha mãe: “Ai, filha, você só usa preto. Escolhe outra cor”. Analisando essa lembrança, constatei que essa característica me acompanha há bastante tempo (visto que já faz sete anos que minha mãe se foi).

Porém, tenho notado que isso passou a me incomodar. Como já escrevi aqui antes, a moda – e, consequentemente, as cores – tem o papel de traduzir um estilo e também estado de espírito naquele dia. Talvez por isso tenha surgido a necessidade de incluir cores nos meus dias.

Não quero ser todo dia apenas cinza (apagadinha e sem graça), preto (apesar de elegante, também pode passar a imagem de uma pessoa muito fechada e até mesmo em luto), ou marinho (básica sem chamar atenção). Quero trazer luz, irradiar cores e mostrar nos meus looks do dia que também posso ser pink, roxo ou verde-água, por exemplo. Cor da qual eu gosto muito, inclusive. Houve um tempo em que usei com bastante frequência, mas depois enjoei e aboli do armário.

Já é tão automático pra mim, que, ao escolher uma nova peça, nem penso, “vou pegar o preto mesmo que não tem erro”. Mas, aos poucos, devagarzinho, vou mudando essa realidade. Já tenho peça rosa, púrpura, verde erva doce… E gosto delas. E, o mais legal de brincar com as novas cores é descobrir as combinações e como elas se encaixam com as minhas antigas peças neutras. Pudera, não é tão difícil fazer combinações com preto, cinza ou marinho.

Dia a dia, assim como novos hábitos que exigem paciência, treino e persistência, incluo uma peça de cor no meu look. O próximo passo nessa busca que também entra no âmbito do autoconhecimento é fazer uma análise cromática. Quando fizer, conto aqui. E espero ampliar meu mundo que era cinza para um lindo arco-íris, com todas as cores que tenho direito.

Lições de yoga – para dentro e fora do tapete

Respire

A primeira coisa que você aprende praticando yoga é respirar. Respirar fundo e na hora certa inspirar, expirar. Traz calma e consciência corporal.

Equilíbrio

Algumas posturas exigem mais equilíbrio (assim como algumas situações na vida). Você se concentra, foca, às vezes dá aquela balançadinha, mas que não deixa cair.

Flexibilidade

Talvez você não seja a pessoa mais flexível, mas com treino, tempo e persistência, vai ganhando espaço e, a cada respiração, conquista um pouquinho mais de flexibilidade.

Paciência

Algumas posturas não vão ser feitas logo na primeira vez. É preciso ser paciente para repetir até aperfeiçoar e conseguir.

Confiar no processo

Para chegar a algumas posturas específicas, existe uma ordem que é como um preparo, um aquecimento que vai preparar o seu corpo para chegar no objetivo final. Não adianta pular etapas, você precisa passar por todo o processo até estar preparado para chegar a tal pose.

Viver o momento presente

Aterrar, meditar, concentrar. São atitudes para estar no aqui e agora. Yoga propõe isso a cada asana: viver o momento presente.

Sobre se perder e se encontrar na maternidade

Senti que a maternidade nos rouba um pouco de nós mesmas. Com a chegada do filho, deixamos um pouco de lado quem costumávamos ser para abrir espaço a uma nova pessoa, uma mãe que nasceu.

Ainda que se tenha uma super rede de apoio, é atrás da mãe que a criança vai no banheiro, naqueles (supostos) únicos momentinhos de paz, é a mãe que leva a criança junto em todos os compromissos quando não tem com deixar e é a mãe que normalmente passa a maior parte do tempo cuidando, brincando e amparando.

No meio dessa rotina, em dias mais intensos em que passo o tempo todinho com meu filho, tem hora que pareço não escutar meus próprios pensamentos, tamanha energia e atenção demandadas.

Outro dia dei uma saidinha rápida enquanto ele estava na escola: fui até o laboratório tirar sangue (programão). Entrei no carro, liguei o som alto, sentindo o vento no rosto, fui pensando na vida, nos meus sentimentos… E me dei conta: essa sou eu novamente. Curtindo um momentinho que seja da individualidade que eu tanto prezo.

A maternidade tem dessas coisas. Mas à vezes é bom voltar a enxergar algo que tínhamos, era tão comum e que talvez não tenhamos dado a devida importância. Para, então, agora perceber o privilégio que é viver esse momento, ainda que só por alguns instantes e se sentir grata por isso…

Positividade tóxica

Recentemente essa expressão tem aparecido nas redes sociais e em conversas com amigos. Positividade tóxica é o excesso de positividade e boas energias que as pessoas vêm espalhando pelo mundo – real e virtual – ultimamente.

Dizem que ela exige que sejamos felizes e perfeitos o tempo todo nos tornando reféns. Discordo. A positividade, pra mim, é a capacidade que temos de enxergar o lado bom de cada situação, por pior que seja. É a maneira que encontramos para lidar com as adversidades.

Óbvio que não estamos bem e super alegres todos os dias e isso faz parte dos altos e baixos da vida – ou então ela seria sem graça demais. Mas ficamos bem e aprendemos a lidar melhor com situações desagradáveis por causa de / apesar desses dias ruins.

Hoje mesmo li uma frase: “Sem chuva nada cresce. Aprenda a abraçar as tempestades em sua vida.” Positividade pra mim é isso. Entender que não há perfeição, que existem dias cinzas e muita imperfeição por trás do filtro e do feed bonito do Instagram. Mas há beleza mesmo assim ou até por causa disso.

Ser positivo não é eliminar todo o resto e fechar os olhos para os problemas. Mas sim focar mais no positivo. É cientificamente comprovado que buscar o positivo traz vantagens tangíveis e não deve ser visto como otimismo infundado.

É encontrar oportunidades nas adversidades, mesmo quando tudo parece mostrar o contrário. E tudo bem não estar todo dia super feliz. A vulnerabilidade é o que nos torna mais humanos. Mas num mundo em que as notícias diárias já não são as melhores, eu prefiro enxergar com minhas lentes da positividade e pensar que não está tão bom, mas vai ficar melhor. E não acredito que uma visão assim possa intoxicar. E você, com qual lente quer enxergar?

O que você fala, seu cérebro acredita

Você sabia que o seu cérebro não distingue o que é real do imaginário?

Parece papo de maluca, mas não é não!

Os seus pensamentos geram sentimentos e influenciam as suas ações e comportamento fisiológico, prova disso é a nossa capacidade de sofrer por horas ou dias por uma situação ruim que durou apenas 10 minutos.

Faça um exercício agora. Lembre-se do dia mais feliz da sua vida com detalhes, você com certeza sentiu algo positivo e pode até mesmo ter soltado um sorriso involuntário. É assim, tudo o que você pensa e fala o seu cérebro entende como verdade e processa no momento presente.

Todas as frases que você repete com frequência são registradas no seu sistema e seu cérebro passa os dias ratificando essas mensagens. Por isso a importância de observar quais verdades você vem gravando no seu subconsciente.

Dias atrás observei em mim uma mania de repetir a frase “a vida não é fácil”. Que péssima verdade para registrar, não é mesmo? Pensa em como os meus sabotadores internos trabalham diariamente para ratificar essa dificuldade em viver.

Talvez você já deve ter identificado algumas verdades registradas no seu cérebro que atrapalham ao invés de alavancar seus projetos e rotina. Então, a dica de hoje é que você crie afirmações positivas para a substituição desses registros. Repita a si mesma seus mantras pessoais e não pare até que tenham sido devidamente registrados no seu subconsciente.

Qual foi o meu mantra positivo criado para substituir aquele?

“A minha vida é maravilhosa e tudo vem a mim com facilidade, alegria e glória.”

Que você seja capaz de dizer a si mesma somente verdades que te impulsionam.

Luz e Sucesso!!


Esse texto foi escrito por Flávia Gimenes, empreendedora, terapeura, leader coach e advogada fundadora da Líder de Si Desenvolvimento e Evolução. Sigam no Instagram @liderdesi.de para acompanhar conteúdos enriquecedores sobre autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e liderança humanizada.

A máscara é o nosso novo normal?

Já estamos há mais de dois meses em isolamento social por conta da pandemia de Covid- 19. Muita coisa mudou nesse pouco tempo, desde costumes em sociedade, como novos hábitos que foram inseridos em nossas vidas. Sem falar na montanha russa emocional que tudo isso tem causado em muita gente.

Primeiro, apenas os profissionais da saúde deviam usar a máscara – hábito em países asiáticos, mas visto com muito estranhamento pela nossa gente do lado de cá – depois, trabalhadores que tinham muito contato com público e pessoas doentes; hoje todos devemos usá-la, sem distinção.

Chegamos de viagem um dia após declarada a pandemia e ficamos em isolamento durante duas semanas (recomendação do governo para quem viesse do exterior). Nesses 15 dias não saí de casa para absolutamente nada, até que precisei sair. A porta do elevador abriu no térreo do prédio e havia duas mulheres e um homem de máscara esperando para entrar. Tomei aquele susto. Fui até a portaria e pude ver faixas de interdição no parquinho. Fiquei abalada e tive vontade de chorar.

Não porque eu fosse uma completa alienada que não sabia o que se passava no mundo lá fora. Mas uma coisa é você saber e acompanhar as notícias pela televisão e internet, outra é quando você vê pessoalmente e toma aquele choque de realidade. Foi triste.

Numa outra rara saída, precisei ir até a padaria. É uma padaria grande e badalada do bairro, sempre muito movimentada. O restaurante estava fechado e apagado, o balcão interditado e não são mais servidas refeições para comer lá, apenas para retirada. Funcionários de máscara e proteção de acrílico. Mais um baque.

Com o tempo a gente vai se acostumando, se adaptando, mas ainda assusta um pouco. Essa semana desci para buscar algo na portaria e encontrei no elevador uma vizinha que há muito não via. Ela – de máscara – perguntou como nós estávamos e disse que só estava saindo para levar a filha, uma bebê de 10 meses, ao pediatra. Conversamos rapidamente, mas deu para sentir o ar preocupado e um tanto chateado que ela transmitia por conta de toda essa situação (sinto que estamos todos um pouco assim). O elevador chegou e nos despedimos, ela deu tchau e nos desejou muita saúde. E é o que mais importa nesse momento.

No início do isolamento, vi uma conversa sobre o uso de máscara e a pergunta se as pessoas achavam que aquele seria um novo hábito que levaríamos dali pra frente, mesmo após a pandemia. Na ocasião respondi que não, mas hoje já estou convencida do contrário. Como tantas outras coisas que esse vírus veio nos mostrar, o uso de máscaras agora também vai ser essencial.

Assisti a uma live sobre mudança de hábitos durante a pandemia, e a antropóloga comentou que há muito tempo (se não me engano, era antes da gripe espanhola, mas agora não lembro o dado correto) era comum as pessoas tossirem por aí sem colocar a mão na boca, algo inimaginável hoje. Talvez usar máscara e álcool em gel daqui uns anos será como tossir com a mão na boca para nossa geração hoje. Veremos.

Tudo ainda está incerto. Não sabemos por quanto tempo ainda teremos que ficar isolados. Mas acredito que ainda que possamos voltar a sair com mais cautela e sem aglomerações, teremos que conviver com o fantasma da Covid-19 nos assombrando por um tempo enquanto não houver vacina ou tratamento que consiga conter o vírus. Enquanto nada disso acontece, ficamos quietinhos em casa, com nossa máscara no rosto e álcool em gel nas mãos.

Tenha um caderninho do “tem que”

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Uma das maiores queixas que recebo dos meus clientes que têm filhos é a falta de tempo de qualidade com eles. O famoso “nunca tenho tempo” ou “quando estou com eles estou dividida entre brincar e fazer as outras coisas”.

A primeira coisa que você precisa saber é que não está fazendo nem uma coisa e nem outra de maneira integral e verdadeiramente entregue. Trabalhar pensando que devia dar mais atenção aos filhos ou estar com os filhos pensando no que tem para entregar no dia seguinte, ambos têm peso negativo igual.

A Programação Neurolinguística nos ensina a arte de tirar da cabeça e colocar no papel. Então, pensando nessa teoria, quero te ensinar o famoso e funcional CADERNINHO DO TEM QUE.

É um exercício que vai te ajudar a aproveitar de maneira genuína os seus momentos. Como qualquer outro hábito ou mudança de comportamento, serão necessárias a prática e repetição.

Separe um caderninho de papel ou então faça no seu bloco de notas do celular, o importante é que você registre imediatamente a tarefa secundária que te atrapalha a cumprir a primária. Toda vez que estiver fazendo algo e vier aquele pensamento de que deveria estar fazendo outra coisa, anote no caderninho. Anote como se transferisse aquele pensamento para o caderno em forma de tarefa futura, algo que você vai fazer em outro momento ou se programar para fazer. Volte e se entregue naquilo que estava fazendo.

Perceba que a maior parte das coisas que você pensa que deveria fazer não poderiam ser feitas naquele momento ou então, existem fatores ainda não identificados que te impossibilitam de fazer.

Faça o teste do Caderninho do Tem Que e ensine para as pessoas que vivem mais preocupadas com o que deveriam fazer do que com as coisas que estão fazendo.

Viva sempre no momento presente e aproveite todas as possibilidades.

Luz e Sucesso!


Esse texto foi escrito por Flávia Gimenes, empreendedora, terapeura, leader coach e advogada fundadora da Líder de Si Desenvolvimento e Evolução. Sigam no Instagram @liderdesi.de para acompanhar conteúdos enriquecedores sobre autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e liderança humanizada. 

Como o isolamento social impacta a aprendizagem das crianças e a rotina das famílias

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Com a chegada do isolamento social, vieram novos hábitos aos quais fomos nos adaptando aos poucos. Lidar com as crianças em casa, o serviço doméstico e o home office – tudo junto e ao mesmo tempo – tem sido desafiador para muitas famílias. Somado a isso, ainda vieram as aulas on-line, exigindo dos pais maior atenção para apoiar as crianças.

No caso do Otto nem posso dizer que é exatamente uma aula porque ele ainda não está na fase de alfabetização. Mas todos os dias temos uma pequena programação para fazer com as crianças.

O fato é que esse é um cenário completamente novo e desconhecido para todos, e não sabemos o jeito “certo” de fazer.

Na escola do Otto tem sido assim: diariamente a professora envia uma atividade como receitas, histórias, brincadeiras, dobraduras etc e sugere que os pais façam com as crianças e enviem fotos para que elas vejam o que os alunos têm feito. Às sextas, todos entram on-line no Google Meeting para um bate-papo rapidinho e as crianças terem contato com os coleguinhas e as professoras. As atividades são válidas para estimular a aprendizagem e serve também para momentos de conexão entre pais e filhos.

No caso de crianças que ainda não estão em fase de alfabetização será mesmo necessário? Além do pouco interesse da criança, gera uma ansiedade enorme nos pais (digo por mim) de precisar cumprir a tarefa, encaixá-la na lista de outras tantas de todo dia, enviar a foto para mostrar para a escola que o esforço da professora não foi em vão e não sou uma péssima mãe que não cumpriu a tarefa do dia. Também sinto pelos professores, sei do enorme esforço que tem sido feito num espaço curto de tempo sem as ferramentas necessárias para tentar tampar esse buraco.

Vejo aqui um cenário difícil para ambos os lados: professores tendo que criar conteúdos e tendo que desenvolver habilidades que não tinham ou não eram necessárias antes, como gravar e editar vídeos, utilizar ferramentas antes desconhecidas, criar conteúdo novo diariamente para nos enviar; do outro lado, pais vivendo a loucura que citei no início do texto e tendo que lidar com a ansiedade de dar conta de todas as atividades e não deixar nada por fazer.

Minha reflexão aqui é: por quanto tempo ainda vamos suportar esse cenário? Não sabemos até quando a pandemia e o isolamento social ainda vão continuar. Tenho acompanhado mães compartilhando suas dores nessa questão de homescholing e sempre sinto um peso, uma preocupação grande. E mais, no caso de crianças na fase do Otto, em que toda a aprendizagem é baseada na convivência, na inserção da criança no ambiente social com outras crianças (em como sentar com o coleguinha, não bater, não tomar o brinquedo do outro e etc) faz sentido continuarmos com essa programação?

Sei que tem o outro ponto de vista também. Alguns pais não sabem mais o que fazer com os filhos dentro de casa e essa é uma alternativa para burlar a falta de criatividade e opções de atividades. É preciso também manter as escolas, os salários dos professores e de tantos profissionais envolvidos para fazer essa engrenagem rodar. Mas é um assunto em que tenho pensado bastante ultimamente, e resolvi compartilhar aqui para gerar essa reflexão.

Como tem sido por aí? Compartilha aqui comigo sua experiência, deixe seu comentário!

Quando a antiga vida faz falta

Já se pegou pensando em como era feliz e não sabia? Ou em como aproveitaria melhor uma
época que não volta mais?

É normal isso acontecer quando falta clareza sobre o nosso momento presente, ou seja,
quando não conseguimos enxergar na totalidade quais as responsabilidades e quais os
benefícios que essa nova fase te entrega.

Sentir saudade de fases, ciclos e situações passadas é essencial, faz parte da estrutura de
orgulho e admiração da nossa história. O que não podemos fazer é negligenciar nosso
presente e desejar voltar a uma realidade que, observando de longe, nos parece mais fácil e
tranquila.

É muito falado de que uma das principais causas da depressão é viver no passado, mas
remoendo dores, frustrações e traumas. Mas também é possível viver no passado visitando
situações positivas e fazer do presente uma fase assustadora e ruim.

Encontre a clareza do seu momento presente. Entenda e aceite que todas as suas experiências
te trouxeram até aqui e que, ainda que de maneira inconsciente, você criou a realidade que
você vive hoje e ela é perfeita para a sua evolução.

Ao visitar o passado recolha recursos que possam te ajudar a viver da melhor forma as
responsabilidades e prazeres que seu momento atual te oferece.

Entregue-se e aprenda tudo o que puder, afinal os ciclos se abrem e fecham sem dia e horário
marcado, só cabe a nós fazer valer a pena.

Respire fundo! Viva o hoje! Seja grata!

Luz e Sucesso!


Esse texto foi escrito por Flávia Gimenes, empreendedora, terapeura, leader coach e advogada fundadora da Líder de Si Desenvolvimento e Evolução. Sigam no Instagram @liderdesi.de para acompanhar conteúdos enriquecedores sobre autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e liderança humanizada. 

Pensamentos durante a pandemia

No início da pandemia, li um texto comparando tudo que estávamos passando durante o isolamento a um período de luto. Ele tinha estágios pelos quais pessoas de luto passam.

Negação, aceitação e negociação estavam entre esses estágios. Hoje, mais de um mês em distanciamento social, acho que já consigo enxergar a situação em perspectiva e as ideias (um pouco) mais organizadas.

Passei por esses três estágios que citei acima. Primeiro quando me neguei a enxergar que algo muito sério estava por vir. Mas quando percebi, não tive dificuldade em aceitar. Aliás, acho que essa é a principal característica para evitar maior sofrimento. A Negociação acho que vivo até agora, tentando entender quanto tempo isso ainda vai durar. Mas nunca lutando contra esse momento que estamos vivendo, nem tentando apertar o botão de avançar do controle remoto para pular essa parte. Acredito que tudo tem um porquê e acontece para nos trazer ensinamentos e nada melhor do que viver um dia de cada vez. Ao contrário, tenho tentado viver de maneira mais desperta, aprendendo com tanta coisa que vem acontecendo, tantos novos hábitos que certamente vieram para ficar, e o melhor: vivendo intensamente cada momentinho ao lado do meu filho e meu marido.

Isso quer dizer que tem sido fácil e todos os dias são bons e alegres? Claro que não! Por aqui também tem tristeza, desânimo, vontade de fazer nada, largar tudo e sair correndo. De chorar. De entender os porquês. Mas não temos todas as respostas. E nada dura para sempre, nem os dias ruins. Então me permito viver um dia triste, aceito e acolho esse sentimento, mas no dia seguinte, acordo bem, me arrumo e mudo o astral. É um novo dia e uma nova oportunidade.

Que esse período nos faça enxergar também as coisas boas, as oportunidades que podem surgir de períodos de crise. Que aceitemos o quanto antes a nova era que vem chegando. E que sempre haja um novo dia feliz para que possamos despertar e sair do estado de luto em que nos colocamos.

Inteligência emocional em quatro passos

 

A Inteligência Emocional é considerada a grande chave para o sucesso dos seres humanos.

Sentir é algo que as máquinas não podem fazer por nós, então que tal nos dedicarmos cada vez mais ao gerenciamento dessas emoções?

No momento enfrentamos uma crise planetária, fomos convidados a nos isolar e ter contato apenas conosco e com os aqueles que convivemos diretamente.

Um desafio para um mundo que não está tão acostumado a olhar para dentro e nem encarar seus problemas relacionais de frente.

A Inteligência Emocional é a caixinha de primeiros socorros essencial para os dias de hoje, principalmente, e eu gosto de dividi-la em 4 passos. São eles:

AUTORRESPONSABILIDADE

É nessa fase que o Piloto Automático é desligado e começamos a agir e não reagir.

Assistimos atentos às nossas ações, como se acompanhássemos um seriado. E então nos conscientizamos de que nossos resultados são sempre frutos das nossas ações e escolhas.

Até mesmo aquilo que alguém faz para nós, depende do nosso consentimento.  Se você quer desenvolver a sua Inteligência Emocional, aceite de que é o responsável por todos os resultados da sua vida, os bons e os ruins.

Autorresponsabilidade não é culpa, é liberdade.

AUTOCONHECIMENTO

O segundo passo é o autoconhecimento. Se deseja gerenciar as suas emoções, é preciso saber quem você é, do que você gosta, quais são seus talentos e habilidades e também quais as suas vulnerabilidades.

Para isso existem muitas ferramentas e profissionais espalhados por todos os cantos, com diferentes maneiras de te ajudar.

Leia livros e faça listas, escreva sobre você e sobre seus sentimentos, com frequência.

AUTOCOMPAIXÃO

Esse terceiro passo é muito importante, afinal de contas você está numa jornada de desenvolvimento e muita coisa vai mudar no caminho.

Na busca pela Inteligência Emocional você identificará comportamentos incoerentes com uma pessoa que entende e gerencia suas emoções, diálogos agressivos, atitudes impulsivas, etc.

E para todas essas situações você deverá acionar o botão da autocompaixão. Aceitar que até aqui você fez o melhor com as informações que você tinha e que daqui em diante pode fazer melhor.

Se abrace, se ame e se valorize, você está em evolução.

EMPATIA

Entender o outro é um dos principais passos para quem deseja ter Inteligência Emocional.

Aceitar e validar os sentimentos e intenções externas faz com que você consiga enxergar além do que uma discussão propõe, além do que uma briga expõe.

Além disso, só é empático aquele que carrega consigo a ideia de que todo mundo está certo dentro do seu ponto de vista e que nossa missão é respeitar e não convencer da nossa verdade.

Assim, há menos gasto de energia e melhor convivência em todos os grupos.

Espero que faça sentido para você trilhar esses 4 principais passos e iniciar o desenvolvimento da sua Inteligência Emocional.

A vida deve ser leve, feliz e abundante, esteja consciente para aproveitar.

Luz e Sucesso!


Esse texto foi escrito por Flávia Gimenes, empreendedora, terapeura, leader coach e advogada fundadora da Líder de Si Desenvolvimento e Evolução. Sigam no Instagram @liderdesi.de para acompanhar conteúdos enriquecedores sobre autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e liderança humanizada. 

 

 

A síndrome de Mulher-Maravilha – e o que ela pode causar

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Vivemos num tempo em que a mulher pode tudo. Ela pode ser quem ela quiser. Ela pode fazer o que bem entender da própria vida. E num momento em que feminismo x machismo vem sendo cada vez mais debatido, surge certa ansiedade da nossa parte de ter que dar conta de tudo.

Afinal, você pode ser o que quiser. E pode mesmo, mas será que para isso precisamos abraçar o mundo? Não vou mentir, me sinto o máximo quando consigo dar conta de tudo o que me proponho a fazer: trabalhar, cuidar do filho, da casa, do marido, fazer mercado, carregar 50 sacolas, mochila e carrinho de bebê. Mas também me sinto péssima quando tudo não sai como esperado.

O que é absolutamente normal: não sair como esperado. A vida é feita de altos e baixos, dias bons e dias ruins. E essa é a graça da coisa. Mas quando a gente passa a se punir porque não deu certo, deixa de ser saudável.

Deve haver um equilíbrio aí. Como em tudo na vida. Seja foda sim, faça tudo sim, o que quiser e da maneira que achar melhor. Mas se permita parar, desacelerar, pedir ajuda. A rede de apoio é essencial aqui. Marido, mãe, sogra, funcionária ou com quem quer que você possa contar.

Permita ter uns momentos só para você: dez, quinze minutinhos por dia, uma vez na semana, sempre que der. Se presenteie com momentos só seus, para fazer o que você gosta e te dê prazer. Pode ser fazer as unhas, ler um livro, parar um minutinho pra tomar um chá em silêncio… Isso é muito importante para você – e para sua família também. E assim você vai se tornando uma pessoa melhor, mais leve, criando a SUA própria versão da Mulher-Maravilha.

A construção do amor incondicional

imageMesmo antes de pensar em ser mãe, sempre ouvi relatos de mães que tentavam descrever o amor de uma mãe por um filho, e diziam que ele vinha desde a barriga, criando vínculo dia a dia já durante a gestação.

Sinto dizer que comigo não aconteceu dessa forma. Claro que sempre nutri bons sentimentos pelo meu filho na gravidez. Mas não sentia aquele amor louco e incondicional que várias mães dizem sentir.

Já no hospital, quando fui internada por conta da pré-eclâmpsia (leia mais sobre o tema aqui), conversei sobre isso com a psicóloga que me acompanhou enquanto estive lá. Expliquei que não conseguia imaginar meu filho e também não me via como mãe (apesar de ter o sonho da maternidade). Ela explicou que isso é normal. Para algumas mulheres acontece assim mesmo. Ela disse que é difícil amar alguém que a gente “não conhece”, apesar de fazer parte da gente.

Esse amor vai ser construído dia a dia, após o nascimento. Quando mãe e filho passarem a se conhecer e reconhecer aqui fora. Como seres individuais que são, mas com uma ligação eterna.

E assim foi comigo e Otto. Ele chegou, ficou um bom tempo na UTI Neonatal sendo cuidado por outras pessoas (que talvez o conhecessem melhor que eu naquele período), até que veio para casa e então pudemos, finalmente, construir o nosso amor incondicional.

Passados os primeiros dias de medos, inseguranças e aflições, passamos a nos reconhecer. Cada suspiro, cada jeitinho, cada mania, coisa que só mãe e filho são capazes de entender.

E não vou escapar do clichê aqui: o amor só cresce a cada dia. Cada sorriso, cada gracinha, cada descoberta (e todo dia são tantas) que encantam e nos fazem explodir de amor.

Quando algo de ruim acontece, o coração para! E eu fico pensando por que não pude evitar? Ou: preferia que tivesse acontecido comigo (outro clichê)…

Só sei que essa construção é linda e vem sendo sólida. Espero que seja assim até o fim dos meus dias porque não consigo imaginar minha vida sem essa explosão de amor. O então revelado amor incondicional…