A primeira vez a gente não esquece

Tem muitas primeiras vezes que são marcantes e ficam na memória. Depois que me tornei mãe, venho colecionando algumas. A última delas foi na semana passada, quando Otto dormiu pela primeira vez fora de casa.

Eu já desconfiava que ele tiraria de letra, mas não achei que fosse tanto. Nem que eu tremeria na base. O combinado era ele dormir na casa do primo (meu sobrinho afilhado) e depois o primo dormir aqui – ambos pela primeira vez.

Planejei um date romântico com o marido e seguimos o plano. Levamos Otto pra casa dos meus cunhados e, chegando lá, dando as coordenadas, me senti um tantinho nervosa. Meio fora do ar. Ele mal se despediu. Saiu correndo sem olhar pra trás. Voltou para dar um beijo porque eu pedi.

Expliquei que iríamos jantar e que qualquer coisa voltaríamos para buscá-lo. Mas ele estava tão empolgado com essa novidade, que isso ficou totalmente fora de cogitação. Chegamos em casa e um tempo depois, a prova de que tudo corria bem: uma foto dele assim que adormeceu.

Respirei aliviada. Por ele ter ficado numa boa, feliz, não ter sofrido, ao contrário, ter curtido muito. E também por ele se mostrar independente, o que facilita em futuras vezes, até em casos de precisarmos que ele fique por algum motivo. Mas ao mesmo tempo – dualidades – um ladinho meu egoísta talvez quisesse que ele sentisse falta, perguntasse.

A gente cria o filho para ele ser independente e autônomo. Quando ele começa a se mostrar assim, a gente quase tem vontade de voltar atrás. Isso é maternar.

Mas para encerrar a história com saldo positivo para o meu lado coruja, quando estávamos saindo de casa para levá-lo, ele disse: “vou sentir muita saudade de vocês”. E o meu coração se encheu não só de saudade, mas também de orgulho por essa vitória que ele conquistou e por ele vir se mostrando tão forte e independente apesar de ser ainda tão novo.

Publicado por

Fabiola Mininel

Jornalista, mãe e apaixonada por moda

Um comentário em “A primeira vez a gente não esquece

  1. É tão gostoso ler os seus textos. Me identifico muito, além da escrita impecável, leve e cheia de carinho pelo que faz. Não perco! Não pare. ❤

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