Telefone, pra que te quero?

Para alguém da geração Y, como eu, o telefone já foi um dia item de sobrevivência. Numa infância e adolescência bem analógica, praticamente sem internet e redes sociais (tô entregando muito a idade?), o telefone era primordial para horas de conversa fiada com as amigas.

Minha mãe vivia gritando: “Sai desse telefone!” “A conta vai vir um absurdo!” E eu respondia em minha defesa: “Não fui eu que liguei, foi ela!” e seguia o bate-papo. Só que a conta chegou: gastei uma fábula de conta telefônica e tomei uma bronca daquelas que ficam marcadas.

Mas também chegou a conta de um outro jeito. Eu não suporto mais falar ao telefone. Tenho bode mesmo. Seria o acúmulo de horas pendurada anos atrás? Trauma por ter levado bronca? Ou apenas um reflexo dos novos tempos, onde tudo pode ser resolvido com uma – sucinta e bem escrita – mensagem de texto?

Fato é que tenho pavor de ouvir o telefone tocando. Sou capaz de não atender e mandar mensagem em seguida: me ligou? (Desculpa, pai!) Me julguem. E a famigerada frase que chega via WhatsApp: “Posso te ligar?”. Não, cara pálida! – o problema é que nem sempre dá pra falar não.

Brincadeiras à parte, tenho observado que da minha geração pra cá, as pessoas não gostam mesmo e têm usado cada vez menos o telefone em sua prosaica forma de uso: falar. Quanto tempo pode ser poupado com uma conversa por e-mail ou WhatsApp, não é mesmo?

Fora que hoje se tornou até um pouco falta de educação e invasão de privacidade, já que não se sabe o que o receptor está fazendo do outro lado da linha. Por ora, fica aqui meu apelo, telefone só em caso de emergência. Vivamos os novos tempos, afinal.

Publicado por

Fabiola Mininel

Jornalista, mãe e apaixonada por moda

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